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THE MAG - The weekly magazine by Flash!

As mirabolantes histórias de Marco Paulo: do fenómeno dos caracóis às quedas do microfone; dos Porsches ao pai que lhe recusava dar beijos

O mais popular cançonetista português, que já leva 56 anos de carreira, abre o coração à The Mag e conta algumas das suas mais impressionantes histórias íntimas. Sobre elas, ri-se e até lhes chama "estrambólicas". Confessa que dialoga com o espelho, que lhe diz que está "bonito" e jura que nunca deu uma bofetada a Ana Marques. Ah, e fala da morte e revela como quer que seja depois.
João Bénard Garcia
João Bénard Garcia
16 de junho de 2022 às 23:38
Afinal eles são inseparáveis! Senhoras e senhores, o casal Ana Marques e Marco Paulo, em 'Alô Marco Paulo'
Ana Marques e Marco Paulo
Ana Marques e Marco Paulo
Ana Marques e Marco Paulo
Ana Marques e Marco Paulo
Ana Marques
Ana Marques
Ana Marques
Ana Marques
Marco Paulo
Marco Paulo
Marco Paulo
Marco Paulo
Ana Marques e Marco Paulo
Ana Marques e Marco Paulo
Ana Marques e Marco Paulo
Ana Marques e Marco Paulo
Ana Marques
Ana Marques
Ana Marques
Ana Marques
Marco Paulo
Marco Paulo
Marco Paulo
Marco Paulo

O artista que teve 'Dois Amores' e que dizia que 'Ninguém, Ninguém' "poderá mudar o mundo", "nem é mais forte que o amor", faz revelações e conta histórias surpreendentes. Nesta conversa, única, com The Mag, Marco Paulo conta como surgiu a ideia de passar o microfone de uma mão para a outra, das vezes que este lhe caiu, e como o gesto se tornou "um estilo" pessoal. E conta ainda a miraculosa história de como um dia acordou com o cabelo liso e, no final desse mesmo dia, a sua cabeça era um reino de caracóis frisados. Mas se quiser saber mais relatos "estrambólicos" suculentos, como o próprio lhes chama, vai mesmo ter que ler tudo até ao fim...

Alguma vez imaginou que o menino pobre que nasceu em Mourão, no Alentejo, um dia se transformaria numa estrela de sucesso da música portuguesa?
Nunca me imaginei a cantar nem a apresentar programas de televisão, nem a ter o que tenho. Nem a saber que há 5,5 milhões de portugueses que têm um disco meu em casa. Nunca pensei. Eu tenho a quarta classe. Nunca estudei em colégios. E estou aqui.

É um 'self made man'.
Venci na vida, por mim próprio e nos momentos certos.

As imagens da condecoração de Marco Paulo
Marco Paulo
Marco Paulo
Marco Paulo
Marco Paulo
Marco Paulo
Marco Paulo

E nos anos 80, quando começou a ter sucesso, foi a loucura completa.
Foi, com os 'Dois Amores', com o 'Ninguém, Ninguém' com a 'Canção Proibida'. Era a voz.

Toda a gente queria ver e ouvir o Marco Paulo, foi uma febre.
Toda a gente! Depois eram os caracóis, a brincadeira com o microfone.

Como é que se lembrou dessa história de passar o microfone de uma mão para a outra?
Não me lembrei, aconteceu. Ainda o faço hoje no meu programa. Significa que ainda não perdi o estilo.

Percebeu que as pessoas achavam graça àquilo e começou a repetir?
As pessoas achavam graça e também iam aos concertos para ver se eu deixava cair o microfone.

...
Marco Paulo disco

E caiu?
Caiu. Duas vezes.

Então? Quer-nos contar como aconteceu?
Escorregou-me uma vez das mãos em Viseu, na Feira de São Mateus. E a outra foi num programa de televisão no Rio de Janeiro. Tinha ido ao Brasil e convidaram-me para ir ao programa do Flávio Cavalcanti, que era em direto para milhões de brasileiros. E o microfone cai-me no chão, escorrega-me das mãos. Fiquei muito atrapalhado e envergonhado a pensar que o Brasil inteiro ia dizer que o cantor português tinha deixado cair o microfone. Só que tive sorte porque o realizador era tão competente que, quando me cai o microfone, e até eu o apanhar, ele meteu a capa do meu disco no ecrã.

"DIGO AO ESPELHO QUE ESTOU BONITO E TRATO-ME POR MARCO PAULO"

De manhã, quando se levanta, qual é a primeira coisa em que pensa quando se vê ao espelho?
Gosto. Gosto do que vejo.

E cumprimenta-se como Marco Paulo?
Claro!

Ou seja, já não cumprimenta o João Simão da Silva.
Não, trato-me por Marco Paulo sempre.

E fala consigo ao espelho?
Falo, claro. Não falo todos os dias, mas falo algumas vezes, quando o rei faz anos. Digo a mim próprio que estou bonito.

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As confissões de Marco Paulo

Pode-se dizer que é um homem feliz?
Eu tenho que ser um homem feliz. Têm que me deixar ser feliz à minha maneira. Tudo o que passei de bom mereço. O que passei de mal, de doenças, não merecia, aconteceu. Eu, como todo o ser humano, tenho momentos bons e menos bons. Não ando a bater com a cabeça nas paredes e não ando a choramingar. Sou um homem bem resolvido com a vida.

"Sou um homem bem resolvido com a vida. Nunca quis mal a ninguém."

Mesmo quando o atacam nas redes sociais e o criticam?
Nunca quis mal a ninguém. Pus sempre os outros em primeiro lugar. Nunca dei um estalo à Ana Marques (parceira na apresentação aos sábados de 'Alô, Marco Paulo', SIC), como andaram para aí a dizer e mesmo aquela coisa de eu dizer: 'O programa é meu' levantou tanta polémica que na semana seguinte aumentaram as audiências. Afinal não foi mal pensado.

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Estalo de Marco Paulo a Ana Marques


COMO MARCO PAULO FICOU COM CARACÓIS DE MANHÃ PARA A NOITE

Há pouco falou do microfone e dos caracóis. Nos anos 80 e 90 especulava-se muito que os caracóis do Marco Paulo eram de permanente.
Essa história dos caracóis tem muito que se lhe diga.

Ai sim, então?
Sim, até aos meus 15, 16 anos tinha o cabelo liso e era um menino sorridente.

Por ser liso é que depois havia muita gente a dizer que os seus caracóis eram permanente.
As pessoas digam o que quiserem. Nunca fiz uma permanente.

Então como é que ficou com caracóis?
Foi assim. Eu uma vez estava a fazer espectáculos no Porto e vivia em Vila Nova de Gaia e precisava de ir urgentemente ao Porto. Tomei um duche. Não me limpei à toalha. Abanei a cabeça…

"As pessoas digam o que quiserem. Nunca fiz uma permanente"

Não se penteou.
Não me penteei. E fui para a rua com a cabeça molhada porque estava com pressa. E o cabelo, quando secou, ficou encaracolado. Há coisas estrambólicas. Quando a série sobre a minha vida for para o ar as pessoas vão ver como tudo aconteceu. Felizmente tenho as histórias todas na minha cabeça. Bem como a imagem das pessoas mais próximas da minha família.

...
Marco Paulo "Eu tenho 2 amores"

E quando a sua família o viu cheio de caracóis o que é que lhe disse?
… Já nem me lembro.

As pessoas não estranharam?
Quando cheguei a casa olhei para o espelho, vi os caracóis, 'rebebéu', 'rebebéu', e pensei que no outro dia de manhã aquilo desaparecia. Mas olhe, não desapareceu.

Ok.
E depois foi uma coisa natural. Tal como foi com o microfone.

Pois, claro…
Mas há coisas da minha vida com que as pessoas se vão surpreender na série. Desde os momentos em que estive para morrer em adolescente.

"Estive para morrer em adolescente. Sempre afogado."

Então, como foram esses momentos?
Sempre afogado. A minha mãe é que me salvou. E depois havemos de falar na série dos momentos gloriosos. Até à cama do hospital. Isto vai ser tudo mostrado para as pessoas se aperceberem que a minha vida como artista não foi tão fácil como imaginam. Foi muito difícil.

A MÁGOA DE O PAI SE TER RECUSADO A BEIJÁ-LO ATÉ À MORTE

Com muita estrada e muito pó.
Coisas boas. Coisas más. Coisas complicadas. Até a nível familiar. O meu pai nunca me dar um beijo para mim deixou-me um bocado… a pensar, até. Eu tinha tudo da minha mãe, mas do meu pai não tinha nada. Não queria que eu cantasse. Não queria artistas em casa. E recusou-se a beijar-me. Até que um dia, mais recentemente, antes de morrer, ainda estava em casa, e eu vou a casa e tentei dar um beijo ao meu pai. Ele estava doente e ainda me disse que 'não' e mandou-me ir beijar a minha mãe. E eu disse-lhe: 'Mas ó pai, eu sou seu filho'. E ele respondeu-me: 'Está bem, mas beija a tua mãe'.

Marco Paulo: a devoção a Nossa Senhora
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa
Marco Paulo em casa

Ele nunca lhe disse porque é que não queria que o beijasse?
… Não (diz com a voz embargada e quase sussurrante). Eu achava aquilo tudo muito estranho. Ou era porque eu estava contra a vontade dele a fazer uma coisa de sucesso…

Mas mesmo em criança, nunca o beijou?
Em criança sim, mas depois mais tarde, quando o contrariei ao vir para música, e não ser empregado de escritório, como ele queria, não. Mesmo quando estive doente e eles não se aperceberam (longa pausa). Não posso falar mais… Não posso falar mais porque não posso estar a contar estas coisas.

"Eu tinha tudo da minha mãe, mas do meu pai não tinha nada. Não queria que eu cantasse."

Ok. Eu respeito.
Mas esta série que a SIC vai fazer sobre mim vai ser boa para as pessoas me conhecerem melhor. Porque vai lá estar tudo: Porque é que não me casei. (Como se fosse obrigado a casar-me). Será a história de um cantor. A história de um menino pobre que saiu da sua terra até ao Marco Paulo que canta na melhor sala de espectáculos e junta milhares de pessoas. E essa história do Marco Paulo só eu a posso contar.

COMPROU TRÊS PORSCHES PARA SE VINGAR DAS CALÚNIAS E INVEJAS

Claro, foi quem a viveu.
Fui. Olhe, a história do Porsche que não era meu e que toda a gente se convenceu que era meu porque apareceu na capa do meu primeiro disco. Todas as pessoas diziam: 'Vejam só, o Marco tem um Porsche'. Eu não tinha Porsche nenhum. Tive, na boca das pessoas, um Porsche sem o ter. Nem sequer tinha possibilidades de o ter, mas foi um falatório. Quando tive possibilidades não tive um, tive três Porsches. Um ainda o tenho ali na garagem e só ando nele quando me apetece.

Teve a fama, mas não tinha o proveito e quando pôde…
Foram logo três.

Essas histórias são engraçadas de contar, mas primeiro a série tem de ser gravada.
Sim, estou ansioso que a série saía. Olhe, a ideia da série foi uma coisa que também foi falada com a Cristina Ferreira, aqui sentada a esta mesa, e ela achou a ideia brilhante. Mas depois a proposta tão falada da TVI nunca chegou a tempo e acabei por assinar contrato com a SIC onde estou muito feliz.


NÃO QUER SER CREMADO, AINDA NÃO COMPROU O JAZIGO, MAS LÁ TERÁ QUE SER

Gostava que um dia, quando partir, as suas cinzas ficassem em Sintra ou até aqui na sua quinta em Mem Martins?
Não, quando fechar os olhos um dia deixem-me sossegar. Deixem-me dormir, deixem-me descansar. E deixem-me em paz.

Veja as imagens. Marco Paulo continua na televisão, mesmo durante luta contra novo cancro
Marco Paulo, Alô Marco Paulo
Marco Paulo, Alô Marco Paulo
Marco Paulo, Alô Marco Paulo
Marco Paulo, Alô Marco Paulo
Marco Paulo, Alô Marco Paulo
Marco Paulo, Alô Marco Paulo

Já explicou à sua família o que quer que façam depois da sua morte?
Já. Eu não quero ser cremado. Já me basta morrer quanto mais ser queimado. Quero ir para um sítio onde as pessoas me possam ir visitar. E não quero que me façam homenagens que não me fizeram em vida.

Tem um jazigo de família?
Não, ainda não tenho. Ai, não me fale nisso, por favor. Funerais e mortes, tudo isso me incomoda. Gosto de viver, porque hei de estar a pensar na morte?

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