As novas acusações de Amber Heard contra Johnny Depp: a "inspeção vaginal" em alegada busca de cocaína e a violação com uma garrafa
Neste novo capítulo, o amor pode ser uma droga fantástica, mas as drogas podem matar o amor e levar as vítimas a um julgamento público onde um tenta provar que o outro é pior.
Nos episódios anteriores de ‘Depp vs Heard’, o ator de 58 anos tentou provar como ele, um homem poderoso de Hollywood, também é vítima de violência doméstica e quer mostrar ao mundo a sua inocência num processo sobre difamação. Esta semana, chegou a vez da ex-mulher Amber Heard contar a sua versão da história.
"Ele era o amor da minha vida. Mas ele era também esta outra coisa. A outra coisa era horrível", afirmou Amber Heard no primeiro dia de depoimento. "Ela era maravilhosa e depois as coisas começaram a mudar ou a revelar-se", já tinha declarado Johnny Depp, no início do julgamento, na Virgínia.
A "outra coisa" a que Amber, de 36 anos, se referia terá sido autor de violência física, psicológica e sexual, esta última na forma de sexo forçado e até de uma "inspeção vaginal". Em 2013, durante uma estadia do ex-casal num parque de caravanas na Califórnia, Johnny terá se tornado agressivo numa discussão e entrou na casa de banho à procura de algo, mas logo voltou-se para Amber, acusou a atriz. "Ele estava a agarrar-me nos seios e a tocar-me na virilha […] Depois rasgou a minha roupa interior e fez-me uma inspeção vaginal". A ideia seria encontrar cocaína.
A mesma declaração foi defendida pela psicóloga especialista em violência interpessoal Dawn Hughes, que testemunhou esta semana e também contou que Johnny Depp terá violado a mulher com uma garrafa - episódio que remonta à mesma discussão na Austrália, em 2015, em que o ator perdeu parte do dedo.
Nesta discussão, disse a especialista, Johnny estaria a bater e a tentar enforcar Amber, dizendo que iria matá-la. "Ele pegou uma garrafa que estava no bar e penetrou-a com essa garrafa", disse a psicóloga.
Amber terá repetido: "Espero que não seja a garrafa quebrada", relatou a psicóloga.
Johnny Depp depois de ter sido atendido por um ferimento na ponta do dedoFoto: Cofina Media
Na versão de Johnny, nos primeiros dias em tribunal, Amber teria atirado uma garrafa de vodka, sem acertá-lo, mas, na segunda tentativa, a garrafa o terá atingido, cortando a ponta do dedo.
A TATUAGEM PARA WINONA RYDER
A suposta violência na relação terá passado de psicológica para física numa noite do casal a conversar no sofá. No cenário, havia música a tocar, cigarros, vinho e um "jarro de cocaína".
É um dia que "nunca vou esquecer. Mudou minha vida", confessou a atriz antes de contar que perguntou sobre a tatuagem no braço do namorado, a tatuagem feita para a também atriz Winona Ryder, em 1993, mas que naquela noite já tinha sido alterada (de Winona Forever para Wino Forever).
"Para mim, pareciam marcas escuras. Não sabia o que dizia. Ele disse que era ‘Wino’ e eu pensei que fosse uma piada. Comecei a rir. Ele bateu-me na cara e eu ri. Eu ri porque pensei que ele ia rir também. Não sabia o que fazer. Pensas que vais ter uma resposta, mas eu, uma mulher, nunca fui agredida desta forma", contou.
"'Pensas, que és engraçada, vaca, pensas que é engraçado?'", terá dito Johnny antes de supostamente a agredir mais duas vezes.
"Desejei tanto que ele dissesse que estava a brincar", referiu ainda. "Eu sabia que era errado e que tinha de o deixar […] Isso foi o que partiu o meu coração, eu não queria deixá-lo."
Johnny Depp ter-se-á ajoelhado a chorar e pediu desculpas, segundo a ex-mulher.
Em tribunal, o ator negou esta agressão. "Porque é que eu ficaria tão ofendido com alguém que riu de uma tatuagem no meu corpo? Essa acusação nunca fez qualquer sentido para mim."
No início, após as gravações de 'Diário a Rum', em 2011, Johnny seria "gentil" e encantador. "Senti como se este homem me conhecesse e visse como nenhuma outra pessoa. Senti que ele me entendia, percebia de onde eu vinha. Quando estava com ele, sentia-me a pessoa mais bonita do mundo".
"Estávamos nesta pequena bolha secreta [do mundo], e parecia um brilho quente, era como chamávamos. Só com música e livros que ambos gostávamos, poesia que ambos sabíamos decorada, parecia um sonho, parecia magia", recordou a atriz. Depois ele "desaparecia".
Johnny Depp constumava deixar mensagem com sangue nas paredes de casaFoto: Cofina Media
"O Johnny com 'speeds'é muito diferente do Johnny sob opiáceos. Johnny sob opiáceos é muito diferente do Johnny sob Adderall e cocaína, que é muito diferente do Johnny sob quaaludes, mas eu tinha de ser boa a prestar atenção às diferentes versões dele", contou também.
Seria aquela mistura de substâncias e os ciúmes de homens e mulheres que rodeavam a companheira que levavam às "explosões" do ator. É assim que a defesa está a construir o caso.
Contudo, o ator apenas assumiu problemas com medicação que lhe foi receitada.
Tudo virou escatológico
No depoimento de Johnny Depp, o ator apresentou uma fotografia do que acredita serem fezes humanas no seu lado da cama. Um recado de Amber Heard numa das fases mais problemáticas da separação do casal. A atriz nega esta interpretação, afirmando tratarem-se de fezes dos cães.
Mas esta semana Amber não quis deixar de fora do caso a sua versão escatológica de alguns momentos do casamento. A atriz afirmou que Johnny perdia o controlo do corpo quando estava sob efeito da droga ou álcool. "Ele desmaiava no próprio vómito, perdia o controlo do corpo... Toda a gente limpava o que ele sujava, eu limpava o que ele sujava. Este homem perdeu o controlo dos movimentos intestinais e eu limpava o que ele sujava", afirmou.
GUERRA DE PSICÓLOGAS
A psicóloga da defesa de Amber, Dawn Hughes, diagnosticou a atriz com stress pós-traumático por causa da relação com o ator, desacreditando a sua colega, Shannon Curry, chamada na semana passada pelos advogados de Johnny Depp, e que diagnosticou a estrela de ‘Aquaman’ com transtorno de personalidade borderline e transtorno de personalidade histriónica.
Shannon Curry disse que Amber Heard oscilava entre "princesa e vítima" e que tinha uma "apresentação excessivamente dramática" e "reativa". Para a especialista, apesar de pessoas com este tipo de transtorno parecerem "queridas e femininas", também "conseguem ser muito destrutivas" e têm um "impulso subjacente de não serem abandonados e de serem o centro das atenções".
"Podem reagir violentamente, fisicamente", disse, acrescentanto: "Com frequência, serão abusivos com seus parceiros. É quase uma atuação." Curry negou que Amber Heard sofra com stress pós-traumático.
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Johnny Depp fala do vício das drogas e do perigo para os filhos
O ex-casal começou o relacionamento em 2011, e casou-se em 2015, em Los Angeles. Um ano e três meses após a cerimónia, a atriz apresentou um pedido de divórcio. Seguiu-se uma longa batalha e um acordo judicial, mas em 2018 Amber publicou um artigo no ‘Washington Post’ afirmando ser uma sobrevivente de violência doméstica.
Foi este artigo que motivou Johnny Depp a colocar um processo de difamação contra a sua ex-mulher, apesar do seu nome não ser mencionado. O ator pede 50 milhões de dólares (47,2 milhões de euros).
Recentemente, a estrela de ‘Piratas das Caraíbas’ perdeu um caso de difamação contra o jornal ‘The Sun’, que o chamou de "espancador da mulher". O ator perdeu o caso.