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As razões para Espanha se manter impávida e serena perante o livro que insinua que o rei Felipe VI viveu várias relações homossexuais e que o casamento com Letizia não passa de uma fachada

Não há choque nem supresa. Não há sequer uma corrida às livrarias nem a imprensa tem dado muito importância à obra de Joaquín Abad, 'Los novios de Felipe VI: La corona y los hombres que pasaron por su vida'. A razão para este desinteresse de 'nuestros hermanos' tem uma razão de ser e nós dizemos-lhe qual é.
Ana Cristina Esteveira
Ana Cristina Esteveira
16 de abril de 2026 às 20:10
As razões para Espanha se manter impávida e serena perante o livro que insinua que o rei Felipe viveu várias relações homossexuais e que o casamento com Letizia não passa de uma fachada
Rei Felipe VI e Rainha Letizia enfrentam divisões familiares no Natal, com clã dividido em três grupos
Felipe VI
Letizia e Felipe recebem o Corpo Diplomático
Felipe VI na tomada de posse de António José Seguro
Felipe VI e Letizia dormem em quartos separados, mesmo em viagens
Felipe VI
Capa do livro de Joaquín Abad
Capa do livro de Joaquín Abad
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Capa do livro de Joaquín Abad
Capa do livro de Joaquín Abad
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Rei Felipe VI e Rainha Letizia enfrentam divisões familiares no Natal, com clã dividido em três grupos
Felipe VI
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Felipe VI
Capa do livro de Joaquín Abad
Capa do livro de Joaquín Abad
Capa do livro de Joaquín Abad
Capa do livro de Joaquín Abad
Capa do livro de Joaquín Abad
Capa do livro de Joaquín Abad

Joaquín Abad lançou mais um livro sobre um dos membros da Família Real de Espanha. Desta vez, o jornalista resolveu, nada mais nada menos, que abordar a vida íntima do rei, Felipe VI. Uma obra bastante polémica que insinua que o monarca espanhol tem uma vida dupla.  Ao longo das 290 páginas, o controverso Abad sustenta que a sobriedade e o caráter reservado de Felipe VI escondem uma luta silenciosa entre o "dever e o desejo". Segundo o autor, a sexualidade do monarca espanhol terá sido moldada por uma infância marcada pela ausência e infidelidades de Juan Carlos I e por uma ligação profunda à mãe, a rainha Sofia, de quem terá herdado a introspeção e o gosto pelas artes.

No livro, o jornalista Joaquín Abad afirma que o verdadeiro amor da vida de Felipe é o empresário Álvaro Fuster, com quem manteria uma relação sentimental sólida desde os tempos de escola. Outro nome de destaque é o de Pepe Barroso, cuja relação com o rei terá sido, alegadamente, o motivo do seu divórcio. O livro detalha ainda uma lista extensa de supostos amantes, desde cadetes militares a figuras públicas. Entre os nomes mais sonantes do entretenimento, o jornalista aponta os cantores Alejandro Sanz e Miguel Bosé, referindo mesmo a existência de encontros íntimos partilhados.

A biografia não autorizada sugere que o casamento com Letizia Ortiz, em 2004, foi uma operação orquestrada pela corte para silenciar os rumores que já circulavam desde a juventude de Felipe. Segundo a obra, a atual rainha, Letizia, teria aceitado a "vida dupla" do marido em troca de ambição e um lugar na história. Contudo, a harmonia terá terminado após o nascimento da Infanta Sofia, quando, alegadamente, Letizia descobriu a suposta relação física e apaixonada de Felipe com Borja Vázquez. De acordo com Abad, os reis vivem hoje vidas separadas, mantendo as aparências apenas por razões de Estado, enquanto a maioria da imprensa espanhola, por temor a retaliações da Zarzuela, opta por manter o silêncio sobre a face desconhecida do seu soberano.  

Como se pode perceber trata-se de 'matéria altamente inflamável' para deixar a Espanha em polvorosa. Só que não! O país vizinho parece não dar grande crédito às insinuações de Joaquín Abad. Não há corridas às livrarias, os programas televisivos 'del corazón' não deram grande importância a esta obra - que está a fazer manchetes em quase todo o mundo, especialmente nos países da América Latina de língua espanhola -  e a imprensa dita 'séria' limitou-se a dar a 'Los novios de Felipe VI' não mais do que modesta notícia de rodapé. Este aparente desinteresse ou indiferença pauta-se apenas pelo temor de retaliações do Palácio da Zarzuela, conforme advoga o autor do livro?

Muito pouco provável que assim seja. A imprensa há muito que se libertou do acordo - conhecido como 'Omertà' (Lei do Silêncio) -  que existia durante o reinado de Juan Carlos I com a coroa de Espanha. Recorde-se que havia um pacto de silêncio (assumido posteriormente) entre as duas partes e que consistia em manter silêncio sobre a vida privada de todos os membros da Família Real. Foi assim que o então monarca conseguiu levar uma vida dupla ao longo de muitos anos. Tinha amantes atrás de amantes e a imagem dos reis que era transmitida para o exterior era de um casal feliz e de uma família unida. Só que nada disso correspondia, de facto, à realidade. Juan Carlos e Sofia já nem sequer eram um casal. Dormiam em quartos separados e levavam vidas autónomas. Só se juntavam em eventos oficiais e diante das câmaras dos fotógrafos. O sofrimento da atual rainha emérita nunca foi denunciado. Nem pela própria nem pela imprensa. Esse era o pacto que os jornalistas sempre respeitaram.

Mas essa proteção tácita foi quebrada quando já não era possível continuar a tapar o sol com uma peneira. Por volta de 2010 começou a ser impossível continuar a omitir escândalos financeiros e a vida pessoal da realeaza só para proteger a imagem da monarquia. Em 2014, aquando a abdicação de Juan Carlos, esse pacto caiu definitivamente por terra.  A imprensa começou a investigar e a dar eco de todos os escândalos protagonizados pelo pai de Felipe VI. Tudo isto para chegar à conclusão: a imprensa não dará repercussão ao livro de Joaquín Abad não por medo de represálias mas, apenas e só, pela falta de credibilidade da obra. Ao insinuar que o rei é bissexual, o jornalista não apresenta quaisquer provas fidedignas. Não há qualquer confirmação ou fontes confiáveis a dar a cara pelo que é divulgado no livro. Perante a falta de consistência dos argumentos a veracidade de tudo o que é escrito neste livro é posta em causa. Esta é a principal razão para a falta de repercussão da obra na imprensa e até entre os espanhóis.

Mas há outros factos nada abonatórios em relação a Abad. O escritor, que se apresenta como "jornalista e editor de dezenas de publicações digitais", é também autor de outras obras polémicas que expõem outros membros da monarquia espanhola. A rainha Letizia também já foi visada num dos seus livros. 'Letizia una biografía no autorizada' foi publicado em 2024, e tal como esta obra mais recente sobre o rei, também este livro é um retrato bastante controverso focando-se nas suas ambições e na sua vida intíma antes de se tornar rainha. Também esta publicação acabou por bater contra uma parede de certa indiferença já que se baseava em muitas especulações. Sobre a rainha também publicou: 'Los novios de Letizia: La Princesa, La Reina que no pidió Permisso' e 'Juan Carlos y Letizia: Dos Biografias Paralelas'

Capa do Livro sobre Felipe VI
Capa do Livro sobre Felipe VI

Na mesma linha dos anteriores livros, Joaquín Abad assinou também 'Los novios Sofía', sobre a rainha emérita e 'Descubrindo a Juan Carlos: Recorrido por sua Historia - Desde Príncipe a sua Abdicación. Una Vida Llena de Polémicas, Riqueza e Mujeres'. Apesar de toda a alegada "indiferença" com que os espanhóis olham para os livros do controverso jornalista, é inegável que a sua obra - que visa também alguns políticos espanhóis como é o caso do atual chefe do governo Pedro Sanchéz - acaba por ter um imenso impacto mediático em Espanha e no mundo inteiro.  Entretanto, tal como no passado, a Casa Real mantém o silêncio absoluto. Dificilmente haverá qualquer reação oficial ao livro de Joaquín Abad. E, como em todos os outros escândalos anteriores, aguarda-se que a "poeira assente" para seguir com a vida... como se nada tivesse acontecido. Os Borbon há muito que adotaram o lema dos pinguins de Madagáscar: Sorrir e acenar! 

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