Joaquín Abad lançou mais um livro sobre um dos membros da Família Real de Espanha. Desta vez, o jornalista resolveu, nada mais nada menos, que abordar a vida íntima do rei, Felipe VI. Uma obra bastante polémica que insinua que o monarca espanhol tem uma vida dupla. Ao longo das 290 páginas, o controverso Abad sustenta que a sobriedade e o caráter reservado de Felipe VI escondem uma luta silenciosa entre o "dever e o desejo". Segundo o autor, a sexualidade do monarca espanhol terá sido moldada por uma infância marcada pela ausência e infidelidades de Juan Carlos I e por uma ligação profunda à mãe, a rainha Sofia, de quem terá herdado a introspeção e o gosto pelas artes.
No livro, o jornalista Joaquín Abad afirma que o verdadeiro amor da vida de Felipe é o empresário Álvaro Fuster, com quem manteria uma relação sentimental sólida desde os tempos de escola. Outro nome de destaque é o de Pepe Barroso, cuja relação com o rei terá sido, alegadamente, o motivo do seu divórcio. O livro detalha ainda uma lista extensa de supostos amantes, desde cadetes militares a figuras públicas. Entre os nomes mais sonantes do entretenimento, o jornalista aponta os cantores Alejandro Sanz e Miguel Bosé, referindo mesmo a existência de encontros íntimos partilhados.
A biografia não autorizada sugere que o casamento com Letizia Ortiz, em 2004, foi uma operação orquestrada pela corte para silenciar os rumores que já circulavam desde a juventude de Felipe. Segundo a obra, a atual rainha, Letizia, teria aceitado a "vida dupla" do marido em troca de ambição e um lugar na história. Contudo, a harmonia terá terminado após o nascimento da Infanta Sofia, quando, alegadamente, Letizia descobriu a suposta relação física e apaixonada de Felipe com Borja Vázquez. De acordo com Abad, os reis vivem hoje vidas separadas, mantendo as aparências apenas por razões de Estado, enquanto a maioria da imprensa espanhola, por temor a retaliações da Zarzuela, opta por manter o silêncio sobre a face desconhecida do seu soberano.
Como se pode perceber trata-se de 'matéria altamente inflamável' para deixar a Espanha em polvorosa. Só que não! O país vizinho parece não dar grande crédito às insinuações de Joaquín Abad. Não há corridas às livrarias, os programas televisivos 'del corazón' não deram grande importância a esta obra - que está a fazer manchetes em quase todo o mundo, especialmente nos países da América Latina de língua espanhola - e a imprensa dita 'séria' limitou-se a dar a 'Los novios de Felipe VI' não mais do que modesta notícia de rodapé. Este aparente desinteresse ou indiferença pauta-se apenas pelo temor de retaliações do Palácio da Zarzuela, conforme advoga o autor do livro?
Muito pouco provável que assim seja. A imprensa há muito que se libertou do acordo - conhecido como 'Omertà' (Lei do Silêncio) - que existia durante o reinado de Juan Carlos I com a coroa de Espanha. Recorde-se que havia um pacto de silêncio (assumido posteriormente) entre as duas partes e que consistia em manter silêncio sobre a vida privada de todos os membros da Família Real. Foi assim que o então monarca conseguiu levar uma vida dupla ao longo de muitos anos. Tinha amantes atrás de amantes e a imagem dos reis que era transmitida para o exterior era de um casal feliz e de uma família unida. Só que nada disso correspondia, de facto, à realidade. Juan Carlos e Sofia já nem sequer eram um casal. Dormiam em quartos separados e levavam vidas autónomas. Só se juntavam em eventos oficiais e diante das câmaras dos fotógrafos. O sofrimento da atual rainha emérita nunca foi denunciado. Nem pela própria nem pela imprensa. Esse era o pacto que os jornalistas sempre respeitaram.
Mas essa proteção tácita foi quebrada quando já não era possível continuar a tapar o sol com uma peneira. Por volta de 2010 começou a ser impossível continuar a omitir escândalos financeiros e a vida pessoal da realeaza só para proteger a imagem da monarquia. Em 2014, aquando a abdicação de Juan Carlos, esse pacto caiu definitivamente por terra. A imprensa começou a investigar e a dar eco de todos os escândalos protagonizados pelo pai de Felipe VI. Tudo isto para chegar à conclusão: a imprensa não dará repercussão ao livro de Joaquín Abad não por medo de represálias mas, apenas e só, pela falta de credibilidade da obra. Ao insinuar que o rei é bissexual, o jornalista não apresenta quaisquer provas fidedignas. Não há qualquer confirmação ou fontes confiáveis a dar a cara pelo que é divulgado no livro. Perante a falta de consistência dos argumentos a veracidade de tudo o que é escrito neste livro é posta em causa. Esta é a principal razão para a falta de repercussão da obra na imprensa e até entre os espanhóis.
Mas há outros factos nada abonatórios em relação a Abad. O escritor, que se apresenta como "jornalista e editor de dezenas de publicações digitais", é também autor de outras obras polémicas que expõem outros membros da monarquia espanhola. A rainha Letizia também já foi visada num dos seus livros. 'Letizia una biografía no autorizada' foi publicado em 2024, e tal como esta obra mais recente sobre o rei, também este livro é um retrato bastante controverso focando-se nas suas ambições e na sua vida intíma antes de se tornar rainha. Também esta publicação acabou por bater contra uma parede de certa indiferença já que se baseava em muitas especulações. Sobre a rainha também publicou: 'Los novios de Letizia: La Princesa, La Reina que no pidió Permisso' e 'Juan Carlos y Letizia: Dos Biografias Paralelas'
Na mesma linha dos anteriores livros, Joaquín Abad assinou também 'Los novios Sofía', sobre a rainha emérita e 'Descubrindo a Juan Carlos: Recorrido por sua Historia - Desde Príncipe a sua Abdicación. Una Vida Llena de Polémicas, Riqueza e Mujeres'. Apesar de toda a alegada "indiferença" com que os espanhóis olham para os livros do controverso jornalista, é inegável que a sua obra - que visa também alguns políticos espanhóis como é o caso do atual chefe do governo Pedro Sanchéz - acaba por ter um imenso impacto mediático em Espanha e no mundo inteiro. Entretanto, tal como no passado, a Casa Real mantém o silêncio absoluto. Dificilmente haverá qualquer reação oficial ao livro de Joaquín Abad. E, como em todos os outros escândalos anteriores, aguarda-se que a "poeira assente" para seguir com a vida... como se nada tivesse acontecido. Os Borbon há muito que adotaram o lema dos pinguins de Madagáscar: Sorrir e acenar!