A vida no Palácio do Mónaco sempre foi marcada por uma grande instabilidade e Charlene, considerada pelo mundo uma princesa triste, devido ao seu semblante sempre pouco efusivo, alvo de constantes rumores e especulações. No entanto, apesar das múltiplas teorias apontadas, nomeadamente que o divórcio com Alberto está iminente, a verdade é que a monarca segue segura e protegida pelo Principado, que tenta evitar novos ataques como o que aconteceu recentemente quando o antigo fiel funcionário do príncipe, Claude Palmero, decidiu revelar em livro alguns dos maiores segredos do Palácio. A começar pelos ficheiros confidenciais que guardava no seu cofre do Palácio e dos quais constaria o acordo de casamento assinado por Alberto e Charlene e também um outro, em que fez uma mulher assinar um acordo em troca de não divulgar material que poderia comprometer o príncipe. "Negociei a compra de fotos embaraçosas para proteger a reputação e a vida privada do soberano. Era melhor que não circulassem. Não tenho mais nada a acrescentar", declarou o antigo ministro das Finanças do Principado em entrevista à revista belga 'Soir Mag', por ocasião do lançamento do seu livro, 'Monaco Interdit'.
Palmero, que foi demitido em 2023, viu o seu nome manchado em praça pública, com suspeitas de gestão danosa no Palácio, o que o levou a ripostar para, segundo o próprio, defender a sua reputação e não só, até porque o livro está repleto de passagens que revelam segredos do que se passa no interior do Palácio e considerações firmes sobre a personalidade dos monarcas. "A Princesa Charlene tem uma personalidade forte. Hoje desempenha um papel importante no Palácio", diz sobre a antiga nadadora sul-africana, que admite ter sido obrigada a aprender a sobreviver num terreno que lhe era hostil.
Já sobre o acordo de casamento assinado com Alberto, Palmero não tem dúvidas de que este tem regras bem claras sobre como Charlene deveria proceder. Fundamental seria dar a Alberto "um herdeiro", sendo que este previa também que os dois se mantivessem casados por um período mínimo de dez anos. Apesar da polémica, o antigo homem da confiança do príncipe garante que a história de que, antes da cerimónia, Charlene fugiu para a África do Sul não é real ou, pelo menos, não do seu conhecimento. O homem que outrora guardava os segredos do Príncipe Alberto confirmou ter redigido o seu acordo pré-nupcial. "Não vi nem testemunhei nada do género."
No entanto, terá assistido a outros pormenores, não menos polémicos, como o facto de pouco depois do casamento com Charlene, Alberto ter arranjado um apartamento de solteiro, onde poderia fazer a sua vida livremente. Diz também que a princesa rapidamente se aperceberia deste lado mais obscuro do marido e que começou a puni-lo com "gastos imprudentes". "Não compreendia até que ponto Charlene se sentia infeliz até o testemunhar..."
O fator chave para essa solidão é o facto de, segundo Palmero, a princesa nunca ter sido aceite pela família real monegasca, nomeadamente com a cunhada, Carolina, com quem tem uma relação de tensão e de constante disputa. Por essa e outras razões, o ambiente no Palácio é descrito como "hostil e opressivo" com uma espécie de salve-se quem puder a marcar a relação entre os diversos intervenientes.
Para além das guerras de bastidores, o antigo funcionário de Alberto destaca ainda uma suposta relação extraconjugal do soberano com uma hospedeira de bordo, que teria resultado no nascimento de um filho fora do casamento.