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O bonito e talentoso filho de Jorge Jesus, que sofreu com o mediatismo galopante do pai, o novo Selecionador Nacional

Mauro é o mais novo dos três filhos do novo Selecionador Nacional e também aquele que cresceu a ver o mediatismo do pai disparar. Tentou ser futebolista, mas disseram-lhe que tinha dois pés esquerdos e foi para arquitetura, profissão que exerce a par dos negócios que gere.
Rute Lourenço
Mauro Jesus, filho de Jorge Jesus, é arquiteto e empresário
Mauro Jesus, filho de Jorge Jesus, é arquiteto e empresário Foto: Instagram

Jorge Jesus vive tanto e respira futebol que acaba por ser a família a adaptar-se à sua vida para se conseguir encaixa no caos que é o lado profissional do novo Selecionador Nacional. Com dois filhos do primeiro casamento com Isabel Silvestre, o treinador é ainda pai de Mauro, que acabou por ser quem mais sofreu com a carreira exposta do pai, uma vez que cresceu ao mesmo tempo que Jesus conquistava espaço mediático no futebol.

"Sempre fiz questão de o acompanhar. No Benfica foi diferente, foi o primeiro impacto. As pessoas apaixonaram-se muito por ele no início. Sempre tivemos uma proximidade grande com o que ele fazia. Escondiamo-nos um pouco. O trabalho é dele mas a família está à parte", já partilhou Mauro, fruto do atual casamento de Jesus com Ivone.

Mas se no Benfica a fama de Jorge Jesus escalaria para outros níveis, tudo se complicou quando este rumou ao Brasil, onde a loucura foi tanta que a família tinha dificuldade em passar momentos com o treinador. "Não dá para ir à rua com ele. Felizmente nunca aconteceu nada de menos agradável. Vamos sempre almoçar e jantar aos mesmos sítios porque lá estamos seguros. Noutros sítios, se calhar, vamos estar sempre a levantar-nos para dar autógrafos. Quando era miúdo não sabia lidar bem. Lidava um bocadinho mal com os comentários na primeira passagem pelo Benfica. Hoje pergunto-lhe a opinião até. Eu levava tudo a mal na altura. Deixava-me afetado porque é meu pai. É uma figura pública e diz-se tudo e mais alguma coisa. Hoje em dia estou habituado."

Apesar desta influência do futebol na sua vida, Mauro acabaria por seguir outros caminhos, não por falta de insitência. "Eu tentei. O meu pai nunca me empurrou para o futebol, deixou-me seguir o meu caminho. Estive em três posições diferentes até que me disseram que era melhor tentar o râguebi porque com os pés não era para mim. Joguei no Benfica, CDUL e Direito. Já não pratico. Fiz jiu jitsu e também experimentei MMA. Fazer desporto fazia-o feliz [ao pai]", reiterou.

Depois de deixar o futebol, Mauro acabaria por se formar em arquitetura e acabaria por se lançar no mundo dos negócios, precisamente ao lado de José Condessa, de quem se aproximou quando o pai treinava o Flamengo. Com mais disponibilidade à época, o jovem acabava por passar longas temporadas no Rio de Janeiro, onde acabaria por conhecer um amigo que se tornaria fundamental na sua vida e lhe abriria portas, também, ao mundo mais glamoroso do fama: José Condessa.

Na altura, pré-pandemia, o ator gravava a novela 'Salve-se Quem Puder', na Globo, e o sotaque português de Portugal foi o ponto de partida para uma união entre os dois, que começaram a ver jogos juntos, a sair, numa amizade que passaria, mais tarde, para o mundo dos negócios.

"Acabámos por nos aproximar imenso. Ele é um ser do futebol. Ele ia comigo ver todos os jogos. Brincava com ele, quando ele não podia ir, por causa das gravações da novela. Eu dizia que ele era o amuleto e que tinha de ir", explicou recentemente Mauro Jesus, que acabaria por desenvolver com Condessa um projeto completamente oposto à paixão que os unia: a marca Amen, de amêndoa amarga, lançada em 2022, e que tem a assinatura dos dois, uma vez que está longe de ser uma cópia da tradicional amarguinha algarvia.

José Condessa, Mauro Jesus
José Condessa, Mauro Jesus

A tradicional Amêndoa Amarga é muito doce e há quem diga que se torna enjoativa, daí juntarmos quase um limão para conseguir beber. Eu queria fazer algo diferente. Cortei em metade a quantidade de açúcar e retirei o caramelo. Depois dei a provar a vários amigos e familiares até chegarmos à versão final”, já explicou à Nit sobre o conceito da bebida que criou, e que tem tido expressão no mercado, tendo chegado a vender cinco mil garrafas por mês. Atualmente, está à venda online por 15,99€ e pode ser também encontrada em alguns restaurantes considerados premium como o 100 Maneiras ou o Solar dos Presuntos, mas a ideia é chegar em breve às grandes superfícies comerciais.

No entanto, a marca de Amêndoa Amarga é apenas uma parcela da vida de Mauro que, aos 31 anos, é como que o homem dos sete ofícios. Paralelamente, tem-se dedicado à sua área de formação, a arquitetura, e começou também a fazer investimentos imobiliários, sendo uma espécie de micro-influenciador nas redes sociais, onde vai partilhando um pouco do seu estilo de vida.

Um percurso que orgulha Jorge Jesus, que acredita ter passado os valores certos a Mauro. "Passei-lhe os princípios de saber respeitar os outros, saber socializar-se. Quando vives numa sociedde tens de saber que há regras. Era também um dos princípios do meu pai. Ele não se licenciou em bebidas mas em arquitetura. O arquitecto é um criador e isso facilita-lhe a vida ao encontrar outros caminhos. Deixei-o seguir o que gosta. Ele foi o filho que mais tempo esteve comigo, estive muitos anos em Lisboa com Benfica e Sporting. Os outros meus filhos saíram de casa muito novos. Ele esteve sempre mais perto de mim e ajuda-me em algumas ferramentas. Ele vai ter de caminhar sozinho, não vai ser com o pai [a ajudar]. Ele conhece várias pessoas. Vai ser obrigado a conviver e até a discutir interesses da nova bebida que quer lançar", explicou Jorge Jesus.

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