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O que se sabe sobre o ChatGPT, o Google Bard, e como as gigantes da Internet travam nova guerra em nome da inteligência artificial

Depois de anos de investimentos e promessas, os utilizadores vêem grandes empresas na corrida para quem vai dominar os novos produtos da inteligência artificial.
Amarílis Borges
Amarílis Borges
Novos lançamentos de sistemas de IA
Novos lançamentos de sistemas de IA Foto: DR

Investimentos multimilionários, troca de provocações das grandes empresas de tech, despedimentos em massa e funcionários furiosos. Por esta altura, já deve ter ouvido falar que 2023 é o ano da revolução da inteligência artificial (IA) e que toda a nossa relação com a Internet está prestes a mudar.

Este discurso tem subido de tom desde novembro, quando a OpenAI, empresa que teve como co-fundador Elon Musk, lançou ao público o seu modelo de chat com inteligência artificial, capaz de gerar respostas e textos complexos, e colocou as grandes rivais numa corrida para acompanhar esta nova guerra. Embora empresas como a Apple e até a chinesa Alibaba tenham demonstrado interesse em ter os seus produtos de IA, mas sem dar muitos detalhes, neste momento é a Google quem tenta ferozmente dar a segunda resposta neste mercado.

Enquanto 100 milhões de utilizadores se inscreviam no ChatGPT para testar as promessas desta ferramenta, a Google colocou-se debaixo de fogo ao apresentar o seu chatbot, o Bard. A ferramenta acabou por se mostrar apressada e cheia de erros. A empresa que está por trás do motor de busca, a Alphabet, perdeu 100 mil milhões de dólares em valor de mercado em poucas horas por causa da decisão, enquanto a OpenAI se lambuzava com a notícia de que a Microsoft ia investir mais 10 mil milhões de dólares na tecnologia deles. E tudo isto em sistemas que ninguém percebe muito bem qual é o tamanho da margem de erros.

Apresentação ChatGPT
Apresentação ChatGPT

Tal como o Bard, o ChatGPT também tem sido apanhado na fase de testes do novo modelo no navegador Bing com dificuldades em dar dados financeiros e roteiros de viagem, por exemplo. A própria ferramenta explica que entre as respostas ainda existe "ambiguidade", "falta de contexto", "informações desatualizadas", "inconsistência" e "viés".

Do outro lado, o presidente da Alphabet defendeu que a Google "hesitou" em lançar o Bard "porque não achava que estava realmente pronto", disse John Hennessy ao falar na conferência TechSurge, citado pela CNBC. E não foi o único. Esta semana, funcionários da empresa mostraram-se furiosos com a apresentação daquele sistema de linguagem. Em publicações internas, estão circular críticas e memes ao CEO Sundar Pichai considerando "apressada", "errada" e "não-googley" a decisão do responsável, cita a 'CNBC'.

VAMOS AO TESTE?

Perante tudo isto nada como testar o protagonista desta história. Por isso, decidimos perguntar ao ChatGPT como explica o frente a frente da Google e da Microsoft na tentativa de dominar esta tecnologia. Como o fizemos? Da forma mais simples: digitando a pergunta na plataforma e esperando a resposta. Que surgiu de imediato: "A guerra da inteligência artificial entre a Microsoft e a Google é uma das disputas tecnológicas mais acirradas dos últimos anos. Ambas as empresas têm investido pesadamente em IA e buscam se destacar como líderes em tecnologia de ponta", começou a explicar o chat, contando a história da empresa de Bill Gates em "projetos ambiciosos" de IA desde 2014 e as "realizações notáveis" da Google na área, como o Google Assistant e o Google Photos.

INSATISFAÇÃO CRESCENTE

Coincidência ou não. Na mesma altura em que estes sistemas começam a ser apresentados, as grandes empresas de tech, sediadas no Vale do Silício e em Seattle, apostam fortemente em cortes de gastos, incluindo despedimentos em massa. Algumas empresas apontam para o corte de 6% do pessoal.

As demissões nesta área desde o início de 2022 já ultrapassam o corte de 220 mil funcionários nos Estados Unidos, segundo a RFI. Daquele número, pelo menos 12 mil pessoas foram demitidas na Alphabet e outras 10 mil devem sair este ano da Microsoft.

Nas redes sociais, há centenas de vídeos de trabalhadores a chorar depois de terem sido demitidos por email ou numa chamada coletiva por zoom.

@nicolesdailyvlog The Google layoffs were not how I expected to start off 2023, but I know it’s only up from here #techlayoffs #googlelayoffs #techgirl #corporatelife #techvlog #dayinmylife #techlayoffs2023 ? Flowers - Miley Cyrus

"Acordei hoje com as notícias do despedimentos na Google. Abri o meu portátil e percebi que não tinha mais acesso. O meu coração imediatamente afundou-se. A minha função foi afetada pelos recentes despedimentos. Enquanto tentava ler o comunicado entre lágrimas, diferentes pensamentos passavam pela minha cabeça", lê-se num dos testemunhos das pessoas que foram demitidas por email numa sexta-feira de manhã, em janeiro.

"Esta manhã, descobri que também sofri com os despedimentos da Google ao lado de 12 mil colegas. Mas que montanha-russa depois de ter sido promovida há apenas dois meses!", diz outro testemunho que pode ser seguido na hashtag "googlelaidoff" .

@thejourneyofteej Trust in God, trust in your higher power, trust in yourself, know that you’re connected and tht youre already victorious! #thejourneyofteej #googlelayoffs #google #grateful #nextchapter #fyp #viral ? original sound - TheJourneyOfTeej

COMO CHEGÁMOS AQUI...?

A decisão acontece depois dos avultados investimentos no período dos confinamentos na pandemia da covid-19, em que as empresas foram impulsionadas pela procura no comércio online. Mas o aumento da inflação e a redução das receitas estarão a levar aos recentes cortes.

As notícias sobre novos despedimentos acumulavam-se quando o fundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, gabava-se sobre a equipa reduzida por trás do ChatGPT. "Eu sei que não me devia gabar sobre a OpenAI, mas a densidade de talento nesta escala (375 pessoas) é de perder a cabeça e acho que não aconteceu na indústria de tecnologia na memória recente".  

DEVEMOS TEMER O FUTURO?

Um dos grandes receios com o lançamento destes chatbots é sobre a continuidade dos postos de trabalho. E, embora não haja provas de que esta tecnologia esteja a afetar o número de despedimentos, uma das definições oficiais do ChatGPT é a capacidade de "automatizar tarefas e aumentar a eficiência".

"À medida que as empresas de tecnologia buscam aumentar os seus lucros, procuram maneiras de cortar custos e melhorar a produtividade. Uma das maneiras de fazer isso é por meio da automação, utilizando algoritmos de inteligência artificial para executar tarefas anteriormente realizadas por humanos", explicou a ferramenta.

Mas, otimista que é, o ChatGPT refere também "é importante notar que a IA também pode ser usada para criar novas oportunidades de emprego e impulsionar a inovação".

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