O testemunho de Noah Cruz continua a dar que falar. Depois da entrevista concedida ao programa 'Júlia', na SIC, emitida a 15 de junho, o tema da identidade de género voltou a estar em destaque no mais recente episódio de 'Passadeira Vermelha', na SIC Caras.
Durante a conversa, David Motta, comentador do referido formato, acabou por partilhar a sua própria experiência de autodescoberta, sublinhando que a disforia de género é uma realidade muito mais complexa do que muitas pessoas imaginam. "Acredito que a disforia de género é um espectro muito grande e, por isso, existe ainda muito pouca informação sobre este assunto", começou por afirmar.
Num testemunho particularmente emotivo, David Motta abriu o coração e falou das dificuldades que enfrentou ao longo da vida na relação com a sua própria imagem. O comentador revelou que durante anos sentiu um profundo desconforto com algumas características físicas associadas à masculinidade, admitindo que esse processo teve um impacto significativo no seu bem-estar.
"Eu próprio já fiz várias transformações físicas. Devo estar debaixo desse espectro da disforia de género porque era incapaz de me ver com os muitos pelos que tinha no corpo, era incapaz de me ver com uma figura mais masculina. Antes de fazer muitas coisas, cheguei a tomar banho às escuras. No entanto, não quero transicionar, não quero ser uma mulher. Porém, não me imagino a envelhecer como um homem", confessou.
David Motta acrescentou ainda que as mudanças que decidiu fazer foram fundamentais para conseguir sentir-se confortável consigo próprio. "Se eu não tomasse algumas precauções ou não tivesse feito algumas coisas que fiz, hoje teria uma figura com a qual não conseguiria viver", sublinhou.
A conversa prosseguiu e David Motta voltou a reforçar a importância de abordar este tema de forma aberta e sem preconceitos. O comentador chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas por muitas pessoas que questionam a sua identidade de género, lembrando que nem todas encontram compreensão no seio familiar.
"Há pessoas que se suicidam, há pessoas que são expulsas de casa", lamentou, sublinhando a gravidade da realidade vivida por alguns destes indivíduos. David fez ainda questão de esclarecer que este é um assunto muito mais complexo do que aparenta à primeira vista e que não pode ser reduzido a estereótipos ou à forma como alguém se veste. Segundo explicou, por detrás de cada escolha existem frequentemente anos de reflexão, dúvidas e um longo processo de autoconhecimento.
"Eu visto-me de mim próprio, com aquilo com que me sinto melhor", afirmou, defendendo a importância de cada pessoa poder expressar-se de forma autêntica e em conformidade com aquilo que sente ser.