A tiara 'Girls of Great Britain and Ireland', uma das joias mais associadas a Isabel II, voltou a brilhar numa cerimónia de Estado. Desta vez, foi a rainha Camilla quem a usou no banquete oferecido por Carlos III ao sultão de Omã, Haitham bin Tarik, a 20 de outubro, no Castelo de Windsor. A rainha consorte escolheu um vestido azul para a ocasião, em que a família real recebeu o líder omanita e a sua comitiva.
Oferecida à futura rainha Mary em 1893, a tiara tornou-se uma das peças mais reconhecidas da coleção de Isabel II. A antiga soberana recebeu-a como presente de casamento da avó, em 1947, e usou-a em numerosas ocasiões oficiais. Décadas depois, a joia continua a marcar presença nos grandes momentos da monarquia, agora através de Camilla.
A imagem tem um significado particular quando se recorda o percurso da atual rainha consorte. A relação com Carlos III, iniciada quando o então príncipe ainda era casado com a princesa Diana, colocou Camilla no centro de uma das histórias mais polémicas da família real britânica. Enquanto a princesa de Gales conquistava a simpatia de milhões de pessoas, Camilla enfrentava críticas e era frequentemente associada ao fim daquele casamento.
A morte de Diana, em 1997, não apagou essa ligação na memória pública. Durante anos, Camilla continuou a ser julgada à luz do passado sentimental de Carlos, mesmo depois de o casal assumir a relação e casar, em 2005. A entrada na família real não significou uma aceitação imediata, e a sua imagem pública foi mudando gradualmente.
A transformação tornou-se ainda mais evidente quando Carlos III subiu ao trono, em setembro de 2022. Camilla passou a ser rainha consorte e assumiu um papel central na representação da Coroa, acompanhando o marido em cerimónias oficiais e encontros com líderes internacionais. A mulher que durante muito tempo esteve no centro da controvérsia é hoje uma presença habitual nos acontecimentos mais importantes da monarquia.
É neste contraste que a expressão "doce vingança" ganha força. Não há indicação de que Camilla tenha escolhido a tiara para responder aos críticos, mas a imagem em Windsor tem um simbolismo evidente: uma joia ligada ao legado de Isabel II usada pela mulher que, durante anos, foi vista como uma figura incómoda na história de Carlos III.
A polémica que marcou o passado não desapareceu, nem o lugar de Diana na memória do público foi apagado. Mas Camilla já não ocupa a posição de outrora. Ao lado do rei e com uma das tiaras mais emblemáticas da antiga soberana, surge como parte integrante da continuidade da monarquia britânica.