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Casa Real da Noruega

Morreu Harald V da Noruega aos 89 anos. O homem que dizia que "os reis não devem estar acima do povo, mas sim ao seu lado"

Harald V morreu esta sexta-feira, aos 89 anos, depois de dez dias internado. A notícia encerra um reinado de 35 anos marcado pela simplicidade, pelo sentido de humor e por uma rara proximidade com os noruegueses. Parte um rei que nunca quis abdicar!
Ana Cristina Esteveira
Alerta máximo na Noruega: estado de saúde do rei Harald V é "extremamente grave"
Rei Harald V
rei Harald
Harald, Mette-Marit
Rei Harald V convoca reunião familiar para decidir futuro de Mette-Marit
Rei Harald V
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Harald, Mette-Marit
Rei Harald V convoca reunião familiar para decidir futuro de Mette-Marit

Harald V nunca foi um rei particularmente interessado em parecer um rei. Gostava de estar perto das pessoas, não fazia questão de alimentar distâncias e encarava o protocolo com uma descontração pouco habitual numa casa real. Foi essa forma de estar que acabou por definir um dos monarcas mais populares da Europa.

Morreu esta sexta-feira, 28, aos 89 anos, depois de vários dias internado no Hospital Universitário de Oslo. A Casa Real norueguesa confirmou a morte, depois de, na véspera, ter informado que o estado de saúde do soberano era "muito grave". Harald estava hospitalizado desde 17 de agosto, na sequência de complicações relacionadas com o tratamento que fazia para uma anemia hemolítica. Durante o internamento, sofreu ainda uma infeção bacteriana no sangue.

A saúde vinha a dar sinais de fragilidade há algum tempo. Nos últimos anos, o rei enfrentou sucessivos problemas cardíacos e respiratórios e foi obrigado, em diferentes ocasiões, a reduzir a sua atividade oficial. Mas houve uma coisa que nunca pareceu disposto a fazer: abandonar o trono.

Harald V rejeitou sempre a ideia de abdicar. Mesmo quando a idade e os problemas de saúde começaram a tornar mais difícil cumprir a agenda, manteve a mesma posição. A explicação era simples e repetida pelo próprio: "Quando se presta juramento, é para toda a vida."

Assim, foi continuando. Sempre que necessário, contou com o filho, o príncipe herdeiro Haakon, para assumir parte das funções, mas sem nunca transformar essa ajuda numa antecipação da sucessão. Agora, será Haakon a ocupar o lugar deixado pelo pai.

"Os reis não devem estar acima do povo, mas sim ao seu lado", defendia. Não era apenas uma frase bonita. Foi praticamente uma filosofia de reinado que começou em 1991. Foram 35 anos e uma imagem difícil de separar da própria identidade contemporânea da monarquia norueguesa.

Foi rei, mas também procurou ser cidadão. Teve de enfrentar crises nacionais, problemas de saúde e as dificuldades da própria família, sem nunca abandonar completamente o seu conhecido sentido de humor. Aos 89 anos, Harald despede-se do trono pela única forma que admitia: sem abdicar. A Noruega prepara-se agora para uma nova era, com Haakon à frente da monarquia. Mas o homem que transformou a proximidade numa das suas maiores marcas deixa uma herança difícil de substituir.

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