O regresso ao Reino Unidos não deverá, para Harry e Meghan Markle, traduzir-se numa recuperação automática dos laços familiares ou numa porta aberta para o regresso às funções que abandonaram. A mensagem que está a ser transmitida é outra: a realeza não terá pressa em voltar a acolher os duques de Sussex.
Harry e Meghan sabem que continuam a despertar enorme interesse no Reino Unido. Basta aparecerem num evento para voltarem às primeiras páginas e qualquer iniciativa que envolva causas sociais poderá recuperar a atenção que tiveram quando ainda faziam parte da agenda oficial da monarquia.
É precisamente por isso que, segundo Rob Shuter, a Família Real estará preparada para não entrar numa disputa de protagonismo com o casal. O comentador fala numa estratégia pensada a vários anos, em vez de dar respostas imediatas a cada movimento dos Sussex.
Esta postura poderá revelar-se particularmente importante se Harry e Meghan começarem a assumir uma presença cada vez maior em território britânico. A fronteira entre uma vida independente e uma imagem associada à Coroa pode tornar-se difícil de definir, sobretudo quando continuam a usar os títulos de duque e duquesa de Sussex.
A questão já tinha sido colocada quando o casal decidiu abandonar as funções reais: seria possível manter uma espécie de estatuto intermédio, com presença pública e ligação à monarquia, sem assumir as responsabilidades de membros trabalhadores? A resposta dada na altura foi negativa.
Agora, anos depois, o regresso ao Reino Unido volta a colocar essa fronteira em cima da mesa. Harry e Meghan podem desenvolver os seus próprios projetos, aparecer em público e manter uma forte exposição mediática, mas isso não significa que passem novamente a representar oficialmente a Família Real.
E é neste ponto que Carlos III e William parecem querer manter distância.Em vez de confrontos públicos ou de uma reação a cada aparição dos Sussex, a aposta será deixar que o tempo faça o seu trabalho. Harry e Meghan regressaram ao país onde começaram a sua história como casal real. O que ainda não se sabe é se este regresso será apenas geográfico ou se poderá, algum dia, aproximá-los novamente da família que deixaram para trás.