Harry e Meghan surpreenderam o mundo ao anunciar que estão de regresso ao Reino Unido, deixando para trás a vida que construíram nos Estados Unidos. A decisão acontece apenas seis anos depois do controverso “Megxit”, altura em que os duques de Sussex abandonaram as suas funções na Família Real britânica e passaram a fazer duras críticas aos Windsor.
Contudo, a vida do príncipe Harry e de Meghan Markle na Califórnia ficou muito aquém daquilo que o casal tinha imaginado. Para além disso, a reeleição de Donald Trump não veio facilitar-lhes os dias, sobretudo porque nunca esconderam as suas posições políticas. O atual Presidente norte-americano, por seu lado, também não tem poupado o casal a críticas, tendo chegado a fazer comentários particularmente duros sobre Meghan.
A situação torna-se ainda mais delicada quando se junta a polémica em torno do estatuto migratório de Harry. O príncipe admitiu no livro 'Spare' ter consumido várias drogas e a Heritage Foundation continua a tentar obter os documentos relativos ao seu processo de imigração. A organização quer saber, entre outras coisas, o que Harry declarou às autoridades norte-americanas quando solicitou autorização para viver nos Estados Unidos. A equipa do duque garante que respondeu com verdade, mas os documentos continuam, em parte, protegidos.
Não existe qualquer prova de que Harry esteja a deixar os Estados Unidos por causa desta situação. Mas, para os seus críticos e para Pilar Eyre, conhecida jornalista espanhola especialista em assuntos da realeza, é uma coincidência difícil de ignorar que a mudança aconteça enquanto esta batalha legal continua.
Eyre realça que também não se pode esquecer a situação financeira do casal e vê neste aspeto a segunda razão para o regresso a “casa”. Quando chegaram à Califórnia, Harry e Meghan apresentaram a mudança como o início de uma nova vida. Instalaram-se numa enorme mansão em Montecito, assinaram contratos milionários e lançaram vários projetos profissionais. O objetivo era alcançar independência financeira e deixar para trás as limitações impostas pela vida enquanto membros da Família Real.
O cenário, porém, foi mudando. O acordo com o Spotify terminou antes do previsto, alguns projetos não tiveram o impacto esperado e o casal entrou numa nova fase de reorganização dos seus negócios. As receitas terão diminuído, enquanto as despesas continuam elevadas. Segundo Pilar Eyre, os custos associados à casa e à segurança dos Sussex atingirão valores astronómicos, chegando, de acordo com a jornalista, aos 10 milhões de dólares por mês.
Por fim, Pilar Eyre aponta uma terceira razão: a saúde de Carlos III. A relação entre pai e filho tem vivido momentos de maior aproximação. Um encontro recente permitiu ao rei voltar a estar com os netos e, embora a relação continue complexa, Harry parece querer recuperar algum do tempo perdido. Para Pilar Eyre, este poderá ser um fator determinante.
A jornalista considera que Carlos III mantém uma agenda profissional extremamente exigente e que não tem recebido todo o apoio de que necessita por parte de William, herdeiro da Coroa. Na sua leitura, o príncipe de Gales estará mais focado na mulher e nos filhos e isso deixará o rei com uma carga de trabalho particularmente pesada.
É neste contexto que Eyre acredita que Harry poderá ter sentido que era altura de voltar a aproximar-se do pai e do país onde nasceu. A decisão ganha, assim, uma dimensão familiar que vai muito além de uma simples mudança de residência. Depois de anos de afastamento, Harry poderá estar a perceber que o tempo para recuperar a relação com o pai é cada vez mais limitado.
Apesar de toda a especulação, há um ponto que parece estar definido: os Sussex não regressam à vida real. Harry e Meghan não deverão recuperar funções oficiais, vão manter uma residência privada e continuarão a ter independência relativamente à monarquia. O regresso ao Reino Unido não significa, portanto, que estejam a tentar recuperar o estatuto que tinham antes do “Megxit”. Mas a decisão representa uma mudança significativa.