O escritor Pedro Chagas Freitas, de 47 anos, já se ofereceu para ajudar os organizadores das 'Acampadas' de Lisboa e do Porto, a favor da causa da habitação em Portugal. À margem da cerimónia de entrega de prémios da Gala Superbrands, que decorreu a 4 de novembro, no Anfiteatro Jerónimo Martins, na Nova School of Business and Economics, em Carcavelos, no concelho de Cascais, Pedro Chagas Freitas fez ainda mais revelações sobre as manifestações que estão a decorrer em Portugal há três semanas.
"Se eu pudesse, estava lá. O meu filho (Benjamin), nos últimos dias, esteve um bocadinho doente, esteve em casa e não tive hipótese, mas se calhar ainda vou dar lá um salto, se puder. Estar lá é uma forma de dizermos que estamos presentes", reforçou.
O autor de livros que se tornaram 'bestsellers' e que, atualmente, mais vende em Portugal reconhece que nem tudo são rosas, nem cravos, nos protestos no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João V, no Porto. "Evidentemente, às vezes há excessos, mas temos de ver qual é o motivo que está por detrás disto. E o motivo é que todos sofremos com isto. Tenho na família pessoas que estão a sofrer mesmo com isso", confidencia.
E como se vai, então, Chagas Freitas envolver nesta luta? "Eu faço o que posso, neste caso, mediante textos, o que eu puder dar. Já me disponibilizei às pessoas que estão a organizar tudo. É uma questão que afeta muita gente e creio que não há ninguém neste país que não tenha alguém do seu círculo que esteja diretamente a sofrer com isto", esclarece.
O escritor acrescenta ainda que os acontecimentos têm matéria para serem transformados em livros: "Tem claramente muita matéria para livros porque são pessoas a reagir no seu melhor e no seu pior, está lá tudo. É a nossa ideia de olhar para o que nos magoa e tentar reagir".
Se o tema afeta centenas de milhares de pessoas, o escritor também dá o seu testemunho pessoal sobre as dificuldades que enfrentou para encontrar casa. "Eu ainda encontrei antes desta crise uma casa. Hoje é um absurdo a diferença de preços. Eu morei em Cascais num estúdio e pagava 550 euros, agora devem pedir 3 mil, ou mais. Essa diferença é insustentável e isto mexe com o nosso lado social e humano", destaca, apontando depois algumas das consequências desta realidade.
"Como nós não somos capazes de pagar uma renda sozinhos, temos de morar com outras pessoas. Temos de criar ali outro tipo de realidades. Se calhar há pessoas presas em relações em que não gostariam de estar, mas têm, porque não têm como pagar uma renda. É muito complexo, mexe com questões humanas", afirma, concluindo: "Viver em comunidade tem um lado bom porque acabam por se relacionar com outras pessoas, mas acaba por ser uma forma de prisão. Tira-nos a liberdade".