O apelido é sinónimo de luxo, sofisticação e das joias mais desejadas do mundo, mas agora está manchado por um escândalo digno de um filme de Hollywood. Maximilien de Hoop Cartier, de 58 anos, herdeiro da lendária dinastia Cartier, foi condenado a oito anos de prisão nos Estados Unidos, num caso que mistura ostentação, criptomoedas e o submundo do tráfico de droga.
A sentença foi proferida num tribunal federal de Manhattan, após o magnata se ter declarado culpado de estar envolvido num esquema internacional de lavagem de dinheiro e fraude bancária. Segundo o jornal 'New York Post', o esquema era tão vasto que movimentou a astronómica quantia de 470 milhões de dólares (cerca de 435 milhões de euros) provenientes do narcotráfico.
Residente em França e com nacionalidade argentina, Maximilien mantinha uma fachada perfeita. Nas redes sociais, apresentava-se como um artista apaixonado, lançando canções sob o nome de Max Cartier. Enquanto promovia singles como 'Somos Novios', o herdeiro geria, nos bastidores, uma complexa rede de empresas de fachada nos EUA, como a Bullpix Solutions e a Softmill LLC.
De acordo com a acusação, estas empresas de "tecnologia" eram, na verdade, fachadas para converter criptomoedas de organizações criminosas em dinheiro vivo, que era posteriormente enviado para a Colômbia.
As autoridades norte-americanas apelidaram a operação de 'Cartier Cell'. O esquema, que funcionava desde 2018, utilizava faturas falsificadas e transações fracionadas para enganar o sistema bancário. O sentimento de impunidade do herdeiro era tal que, mesmo após a DEA (agência de combate ao narcotráfico) ter apreendido quase um milhão de dólares numa operação infiltrada em 2021, Maximilien tentou recuperar esse valor com a apresentação de documentos falsos.
Além da pena de prisão, o tribunal condenou o herdeiro a pagar mais de 2,3 milhões de dólares e a abdicar de todas as contas ligadas às suas empresas fictícias. Para o jurista John Clayton, citado pelo 'New York Post', "este é um caso chocante de alguém que usou o seu privilégio e conhecimento do sistema financeiro global para servir o crime".