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Crime

Após execução falhada, Christa Pike está consciente e até já fala: o que vai acontecer agora?

É um caso sem precedentes: Christa Pike devia ter morrido a 30 de setembro, mas sobreviveu à execução por injeção letal. Dias depois, a norte-americana de 50 anos está agora consciente, embora permaneça sob cuidados médicos. Agora, enquanto os seus advogados tentam impedir que volte a ser submetida à pena de morte, uma questão inédita coloca-se: pode o Estado tentar executá-la novamente?
Quem é Christa Pike, a mulher que guardou um pedaço do crânio da colega que matou aos 18 anos e que agora sobreviveu à injeção letal
Christa Pike em 2016
Christa Pike a chorar em tribunal depois da condenação à morte
A vítima, Colleen Slemmer
Christa Pike numa imagem mais recente
Christa Pike em 2016
Christa Pike a chorar em tribunal depois da condenação à morte
A vítima, Colleen Slemmer
Christa Pike numa imagem mais recente

Christa Pike, a norte-americana condenada à pena de morte que , já está consciente e até já fala, dizem os seus advogados.

“Contra todas as probabilidades, Christa Pike está consciente, fala e continua a receber cuidados médicos intensivos”, revelaram, numa declaração divulgada esta terça-feira, dia 6. “A sua recuperação não tem precedentes médicos. O seu prognóstico permanece incerto, mas, no mínimo, esperamos uma longa recuperação", lê-se ainda.

Os advogados acrescentam que Pike continua algemada à cama do hospital, “apesar dos graves danos que sofreu nos braços”.

“Estamos extremamente gratos aos primeiros socorristas e à equipa médica do hospital que trataram a Christa como um ser humano e lhe prestaram cuidados excecionais”, rematam.

Tudo aconteceu no passado dia 30 de setembro, depois de um tribunal federal ainda ter suspendido a execução nessa manhã, até o Supremo Tribunal ter decidido horas depois que a execução ia mesmo avante.

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Como é possível Christa Pike ter sobrevivido a duas doses de injeção letal?

De acordo com a 'Associated Press', Pike manteve-se acordada após uma dose inicial de pentobarbital e queixou-se de uma dor no braço, tendo-lhe sido aplicada, posteriormente, uma segunda dose. Esta também não foi letal. A mulher sobreviveu e os seus advogados entraram com um pedido de emergência no Supremo Tribunal para suspender de imediato a execução, argumentando que Pike estava a sofrer "agonia desnecessária". Foi levada de urgência para o hospital, inconsciente e em estado crítico.

FUTURO INCERTO

Mas... e agora? O que irá acontecer a Christa Pike? Os seus advogados querem que a pena de morte seja transformada em prisão perpétua, enquanto especialistas em Direito questionam se o Estado poderá sequer voltar a tentar executá-la. Ainda assim, a pena de morte de Pike continua em vigor, pelo que a possibilidade de uma nova tentativa não está automaticamente excluída.

A situação não tem precedentes, já que a Pike é a primeira pessoa a sobreviver depois dos fármacos letais terem sido efetivamente administrados. Por isso, os especialistas consideram que a questão terá de ser decidida pelos tribunais.

O governador do Tennessee suspendeu todas as execuções previstas no estado até ao final de 2026 e ordenou uma investigação independente para perceber exatamente o que correu mal.

 O CRIME BRUTAL DE CHRISTA PIKE

 Christa Pike tinha 18 anos quando matou Colleen Slemmer, de 19, num crime particularmente brutal que chocou Knoxville, no Tennessee, a 12 de janeiro de 1995.

As duas adolescentes eram estudantes no Job Corps Center, um centro de formação profissional, e Pike acreditava que Colleen estava interessada no seu namorado, Tadaryl Shipp. Acompanhada por Shipp e por outra colega, Shadolla Peterson, Pike atraiu Colleen para uma zona arborizada próxima das instalações e foi nesse local que Colleen foi atacada.

De acordo com a acusação e com as provas apresentadas em tribunal, Pike cortou-lhe o pescoço várias vezes com um x-ato, atingiu-a com uma arma branca e, juntamente com Shipp, agrediu-a repetidamente com um pedaço de asfalto, numa tortura que terá durado meia hora. A autópsia revelou numerosas feridas e sinais de defesa, incluindo lesões no braço, além de hematomas nos joelhos compatíveis com a possibilidade de Colleen ter tentado fugir.

O crime ganhou ainda maior notoriedade por Pike ter cravado com o x-ato um pentagrama no corpo de Colleen e por ter contado tudo a um colega no dia seguinte, mostrando-lhe um fragmento do crânio da vítima que dizia ter levado consigo como “recordação”.

Pike foi detida, julgada e, em 1996, condenada por homicídio em primeiro grau e conspiração para cometer homicídio. Quando recebeu a pena de morte, desabou em lágrimas no tribunal.

Shipp, que tinha 17 anos na altura do crime, foi condenado a prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional, enquanto Peterson, que testemunhou contra Pike e serviu apenas de 'vigia' no crime, recebeu liberdade condicional.

Nos últimos 30 anos, Pike apresentou vários recursos, tendo os seus advogados argumentado, entre outras questões, que o seu passado de abusos na infância e problemas psicológicos não tinham sido devidamente considerados no julgamento.

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