Pelo menos uma pessoa morreu e cerca de duas mil foram deslocadas após uma incursão insurgente que destruiu o acampamento turístico da Mozambique Wild Adventures, em Niassa, Moçambique, que é copropriedade do treinador Carlos Queiroz.
O ataque surpresa aconteceu na quinta-feira, dia 3, e os insurgentes saquearam, queimaram e vandalizaram o local, levando ainda viaturas e incendiando outras, incluindo residências.
A organização ambientalista Mozambique Bio, citando fontes locais, refere a "destruição e perda de um investimento estimado em 3,5 milhões de dólares", realizado "ao longo de mais de uma década pelo empresário e professor Carlos Queiroz".
"Deixaram-nos avultados danos materiais, relativamente poucos danos humanos, mas ainda estamos no terreno a trabalhar. Tivemos muita pressão durante a noite de ontem, não dormimos", descreveu o secretário de Estado em Niassa, Silva Livone, referindo-se à situação que obrigou ao deslocamento de cerca de duas mil pessoas, que, garantiu, estão a receber assistência num centro de acolhimento.
Segundo Silva Livone, os insurgentes provêm da província vizinha de Cabo Delgado.
«Do 'modus operandi', do comportamento que tiveram, literalmente, conduziu-nos a esta conclusão de que os terroristas vieram à procura de reforçar a sua base logística em termos de mantimentos», afirmou Livone.
A Mozambique Wild Adventures é uma empresa de safaris de caça. Organiza sobretudo expedições de caça safari, incluindo caça de animais de grande porte.
A organização acrescenta que se encontravam no local três turistas estrangeiros, que se encontram em segurança, enquanto "cerca de 15 colaboradores do acampamento terão abandonado as instalações e procurado refúgio no mato".
Desde 2017, a província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados.