Paris [e o mundo] voltou a ouvir a voz de Celine Dion. Seis anos depois de se afastar dos palcos, a cantora entrou em cena perante milhares de pessoas e não conseguiu esconder as lágrimas. Aquele não era apenas mais um concerto: era o regresso de uma artista que passou anos a lutar para recuperar algo que a doença lhe tinha começado a tirar.
Aos 58 anos, Celine voltou a cantar durante mais de duas horas, num espetáculo que marcou o arranque da sua residência em Paris. Depois de tudo o que viveu, estava novamente diante do público, com a voz que durante tanto tempo temeu perder.
Mas para perceber a dimensão daquele momento é preciso recuar vários anos. Muito antes de existir um diagnóstico, Celine já sentia que alguma coisa não estava bem. Os primeiros sintomas surgiram cerca de 17 anos antes de descobrir a doença que viria a mudar a sua vida. Vieram os espasmos musculares, a rigidez e as dificuldades em controlar o próprio corpo. E, com o agravamento dos sintomas, também cantar se tornou cada vez mais difícil. A doença atingia precisamente uma das ferramentas essenciais da sua carreira: a voz.
O diagnóstico chegou em 2022. Celine descobriu que sofria de síndrome da pessoa rígida, uma doença neurológica rara que provoca rigidez muscular e espasmos. Foi também nesse período que tornou pública a sua luta e explicou aos fãs por que razão estava a ser obrigada a cancelar espetáculos e a afastar-se dos palcos.
Seguiram-se anos de tratamentos, fisioterapia e terapia vocal. Celine nunca escondeu a dificuldade do processo e chegou a mostrar momentos particularmente duros da recuperação no documentário 'I Am: Celine Dion'. Ainda assim, continuou a trabalhar com um objetivo: voltar a cantar.
Em 2024, deu um primeiro sinal de que esse sonho continuava vivo ao atuar na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris. Agora, voltou à mesma cidade, mas desta vez para enfrentar novamente uma sala cheia e uma série de concertos. E foi quando finalmente subiu ao palco - na estreia do seu regresso - que as lágrimas apareceram. Depois de anos em que cantar deixou de ser algo garantido, Celine Dion estava outra vez ali. A voz que a doença ameaçou roubar voltou a ouvir-se em Paris.