Estávamos em 1986 e o então príncipe Felipe tinha 18 anos. Acabado de entrar na Faculdade de Direito da Universidade Autónoma de Madrid, o filho dos reis de Espanha foi recebido por centenas de estudantes que o aplaudiram no seu primeiro dia de aulas. Mas tudo iria mudar em breve...
Segundo relata o jornalista José Apezarena no livro 'Os Homens de Felipe VI', citado pela 'Lecturas', assim que entraram na sala, a timidez tomou conta de toda a gente. Ninguém se queria sentar ao pé do futuro rei de Espanha. Não sabiam como interagir com ele, o que lhe chamar... ou se podiam sequer dirigir-lhe a palavra.
No entanto, a Casa Real procurou manter um ambiente o mais normal possível para o jovem príncipe. Não queriam que praticamente nada o diferenciasse dos colegas. Assim, Felipe foi apresentado na turma simplesmente como Felipe Borbón y Grecia e tornou-se apenas mais um aluno do Grupo II do primeiro ano de Direito. E o futuro monarca fez questão de esclarecer tudo com os colegas o mais rapidamente possível.
"Ele sentava-se numa das filas da frente da sala de aula e, vendo que ninguém se sentava ao pé dele, teve que lhes pedir que não tivessem problemas", explicou um colega, anos depois.
"Nenhum professor alguma vez o chamou de ‘Vossa Alteza Real’ na sala de aula. Tratavam-no sempre por você, como a todos os outros. Nós chamavamos-lhe Felipe e tratávamo-lo por tu", acrescentou.
Ainda assim, era evidente que a presença do filhos dos reis de Espanha, Juan Carlos e Sofia, não passava despercebida, pelo menos durante os primeiros dias. A vida universitária foi uma altura feliz para Felipe, que fez algumas amizades que ainda mantém nos dias de hoje.