Aos 20 anos, a princesa herdou o carisma e estilo da mãe, mas é também elogiada pelo compromisso com a Coroa, por afinidade ao pai. Vista como correta, íntegra e leal, Leonor simboliza esperança para o futuro da monarquia em Espanha e populariza-o entre os jovens, que a idolatram e a colocam num pedestal. Depois de ter crescido num centro de um furacão de polémicas, a filha mais velha dos reis Felipe e Letizia tenta impor uma neutralidade que se assume como um novo caminho a seguir no país vizinho.
Rainha emérita mergulhou numa "sensação de esgotamento emocional e de vazio" da qual nada nem ninguém parece ser capaz de a tirar. O filho teme que esta seja uma carga demasiado pesada para Sofia, que nos últimos anos tem estado cada vez mais fragilizada devido aos diversos escândalos reais.
Abalada com a morte da irmã, a mãe de Felipe VI ainda não conseguiu recuperar o ânimo e está com dificuldades em lidar com o enorme vazio que esta partida lhe deixou.
Leonor nasceu com um destino traçado e um peso que poucos jovens conhecem. Herdeira do trono de Espanha, cresceu sob o olhar atento do mundo, dividida entre o rigor da formação real e o desejo simples de viver como qualquer jovem da sua idade, um equilíbrio que a mãe, Letizia, sempre fez questão de proteger.
Os reis de Espanha retomaram a agenda depois de umas últimas semanas marcadas pela morte da princesa Irene da Grécia e pela tragédia dos comboios em Córdova.
Foi o único bebé presidencial a nascer e crescer no Palácio de Belém. As fotos em família mostram bem o pequenote que todos os portugueses acarinhavam. Privou com reis, andou ao colo de rainhas e princesas e de mão dada, feliz e contente, com o Papa João Paulo II em maio de 1982. Foi estrela numa visita à Grande Muralha da China em 85, com sete anos, mas desde que a 9 de março de 1986 deixou o Palácio pouco se sabe sobre ele. Foi surfista, com direito a penteado estiloso e as madeixas loiras da praxe, virou farmacêutico, casou com uma engenheira ambiental e provavelmente já atendeu na farmácia do Freeport, em Alcochete, muitos dos leitores deste artigo.
Presa a um marido e a um casamento que só existe no papel. Três filhos que enfrentam os seus próprios dramas pessoais e que, por isso, mal têm tempo para ela. Fracassada na tentativa de ter uma família unida. E a viver num país que nunca sentiu como seu, tanto que mal fala castelhano. Este é o cenário que Sofia, a grega, enfrenta desde que perdeu no espaço de apenas um mês os seus dois apoios mais fiéis: a prima, a princesa Tatiana Radziwill, e, sobretudo, a irmã mais nova, a sempre presente princesa Irene.