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A vida académica de um herdeiro ao trono raramente é igual à do comum cidadão, mas para o atual rei Felipe VI, os anos de universidade foram vividos sob uma enorme pressão. Corria o ano de 1985 quando o então príncipe das Astúrias ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Autónoma de Madrid, num dos períodos mais negros e sangrentos da história recente de Espanha, marcado pela atividade terrorista da ETA.
De acordo com revelações da revista espanhola 'Semana', que cita a obra 'El Príncipe' de José Apezarena, o campus de Cantoblanco era alvo de uma limpeza de segurança minuciosa e diária para garantir que o filho de Juan Carlos I não corresse qualquer risco de vida, em particular vítima de um atentado.
Para quem cruzava os corredores da faculdade, a presença da segurança passava quase despercebida, mas os métodos eram rigorosos. Todas as manhãs, antes de Felipe entrar na sala de aula, dois homens vestidos com fatos de treino passeavam calmamente pelo recinto. Acompanhados por cães, pareciam apenas dois civis a desfrutar de um momento de lazer ou exercício.
Contudo, a realidade era outra: tratava-se de agentes de elite com cães polícias especializados na deteção de explosivos. Segundo a 'Semana', estes operacionais batiam cada canto do campus, desde o parque de estacionamento até ao interior das salas de aula, garantindo que não existia qualquer ameaça antes da chegada do então herdeiro do trono espanhol.
O ano de 1985, em que Felipe iniciou os seus estudos, é recordado como um dos mais conturbados do país vizinho. Com a ETA em fase de extrema violência, o governo espanhol e a Casa Real não quiseram deixar nada ao acaso. Foi montado um perímetro de proteção que envolvia a Guarda Civil e a Polícia, permitindo que, apesar do perigo iminente, o príncipe conseguisse manter uma aparência de normalidade e conviver com os colegas.
Esta "blindagem" do campus de Cantoblanco serve agora de termo de comparação para o dispositivo que rodeia a princesa Leonor. Embora os tempos sejam outros, a herdeira do trono espanhol segue os passos do pai, com o Estado a garantir que a sua formação académica e militar decorre sob a mais apertada, e por vezes invisível, vigilância.