Depois do ex-príncipe André ter sido interrogado pelas autoridades ao longo de 12 horas pelo seu envolvimento no caso de Jeffrey Epstein, de quem era amigo pessoal, a Justiça do Reino Unido mostra trabalho ao deter esta segunda-feira, 23, Peter Mandelson, antigo embaixador britânico nos Estados Unidos, por suspeita de conduta imprópria em cargo público.
A detenção de Peter Mandelson estará relacionada - tal como no caso do irmão do rei Carlos III - com o caso Epstein. A 22 de julho de 2009, depois de 13 meses de prisão por crimes de abuso de menores, o magnata norte-americano foi libertado e enviou uma mensagem a Peter Mandelson, então ministro da Economia da Grã-Bretanha, onde dizia: "Livre e em casa". Mandelson respondeu: “Como vamos celebrar?”.
A relação de amizade entre o governante britânico e o líder de uma rede de abusos sexuais, que morreu na prisão em agosto de 2019, está transcrita numa nova série de ficheiros revelados no início deste mês pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América. O assunto tornou-se relevante porque Mandelson é o embaixador da Grã-Bretanha nos Estados Unidos, o que abalou a política britânica e pôs o primeiro-ministro, Keir Starmer, debaixo de fogo por ter no aparelho político alguém tão próximo de Epstein.
Peter Mandelson acabou demitido e anunciou que se desfiliava do partido, mas não foi suficiente para acalmar a opinião pública. Seguiram-se três demissões em Downing Street: o chefe de gabinete, Morgan McSweeney, que assumiu a responsabilidade de ter aconselhado Starmer para nomear Mandelson; o diretor de comunicação (Tim Allan) e o secretário-geral (Chris Wormald), que saíram para permitir uma renovação total do gabinete.
Imagens divulgadas pela estação Sky News mostram o embaixador britânico em Washington a sair de casa acompanhado pela polícia e a entrar num carro.