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A vida do avesso com um novo foco! Como a viúva de Diogo Jota encontrou uma tábua de salvação para fazer face à dor do luto

O desporto, uma paixão comum a Diogo Jota, como que tem salvado Rute Cardoso, que estabelece novas metas e formas de vida depois da partida do seu grande amor.
Rute Lourenço
Rute Lourenço
27 de maio de 2026 às 20:05
A vida do avesso com um novo foco! Como a viúva de Diogo Jota encontrou uma tábua de salvação para fazer face à dor
Viúva de Diogo Jota encontra apoio após a perda, com foco em corrida solidária
Participantes na Corrida da Mulher da EDP exibem as suas t-shirts
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Aos 29 anos e com a vida do avesso, os dias de Rute Cardoso não têm sido nem fáceis nem estanques desde que recebeu a notícia para à qual nunca ninguém algum dia estará preparado. Desde a morte do marido, Diogo Jota, que a viúva do jogador tenta manter-se à tona, com o foco de levar para a frente a sua família com três crianças, preservando a memória do seu grande amor, e não se esquecendo também de si. Essa terá sido a parte mais complicada para Rute, no entanto, com o passar dos meses, a mulher do malogrado craque encontrou no desporto uma força desconhecida, sendo que atualmente é uma das suas grandes alavancas para se manter mentalmente sã.

Na sua conta de Instagram, Rute tem partilhado a sua jornada desportiva, que começou com corridas à noite, quando o mundo dormia, e se estende agora a provas oficiais, além de outras modalidades como o hyrox ou o kickboxing. 

Objetivos renovados que a levam a ocupar os dias e entreter a mente, numa altura em que já começamos a ver Rute permitir-se a sorrir, principalmente quando dá largas a uma paixão que tinha em comum com Diogo: as viagens, que entretanto voltou a fazer ao lado dos filhos. Este ano, a viúva do futebolista já esteve na Disney, num momento familiar mágico, e embarcou também para umas férias revigorantes na Tailândia.

De resto, Rute segue entre homenagens ao marido, nas quais marca religiosamente presença e, recentemente, abriu uma única exceção para quebrar o silêncio em relação a tudo o que lhe aconteceu, no livro da autoria de José Manuel Delgado, 'Diogo Jota - Nunca Mais é Muito Tempo'. Em lágrimas, Rute lembrou a fatídica noite em que se despediu do marido, depois de momentos bem passados em Gondomar, para não mais o voltar a ver, com as mensagens enviadas a nunca serem lidas pelo marido, que perderia a vida num brutal acidente de viação em Espanha ao lado do irmão, André Silva.

"Comecei a aperceber-me de que podia ser verdade, embora quisesse acreditar que isso era impossível. Tenho marcados onze quilómetros no relógio, feitos naquela noite, só a andar no pátio, que é grande, da casa da minha irmã", lê-se o depoimento no já referido livro.

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O casamento de sonho de Diogo Jota e Rute Cardoso

Sem notícias, começou a ligar para todo o lado possível sem esquecer os hospitais e o hotel onde Diogo Jota e o irmão André tinham reservado quarto. Acabou por recorrer a um tio que, através de contactos, conseguiu falar com as autoridades espanholas. Numa das chamadas feitas por esse familiar, Rute apercebeu-se que algo de grave tinha mesmo acontecido.

"Ouvi o meu tio dizer: ‘Sim, são dois irmãos’. Era a certeza, forte e dura de que algo havia acontecido", recorda. Mas o pior estava ainda para vir. "De repente, o meu tio pediu-me que lhe passasse o Nuno, o meu cunhado. Ouvi o meu tio dizer-lhe: 'Os corpos estão a ser levados'. Acho que ele acrescentou 'para a morgue', mas a minha cabeça parou ali. 'Corpos?'"

A confirmação oficial chegaria pouco depois, através de telefonema de um agente da polícia espanhola: "Declaro o óbito de Diogo José Teixeira da Silva, nascido em 4 de dezembro de 1996".

"Era noite de amigos, de tradições, de coisas simples, das coisas que, entre amigos, na verdade, nunca mudam, das que nunca são atrapalhadas pela fama, pela visibilidade. Os amigos constituem sempre o centro. São o sítio, a casa", é relatado no livro sobre os acontecimentos antes da tragédia, numa rotina simples que o casal privilegiava. Apesar dos milhões ao dispor, nunca cederam ao luxo e mordomias.

"Ao contrário da maioria dos jogadores, que gostam de altos carros, joias e relógios, o Diogo nunca foi desse campeonato, e as viaturas que tínhamos bastavam-lhe", começou por contar Rute, recordando de seguida que foi só para ter uma experiência diferente que o marido decidiu alugar um Ferrari nos dias que antecederam o casamento - que decorreu apenas uma semana e meia antes do acidente - e depois o Lamborghini.

"Talvez por nunca ter ligado muito a automóveis, ele aproveitou para ter a experiência de conduzir um Ferrari, que, aliás, entregou na manhã do nosso casamento. Depois, alugaria o Lamborghini", conta Rute, que em conversa com José Manuel Delgado mostrou, aliás, a essência simples dos dois, que acabaria por ser citada pelo antigo jornalista.

"Vou citar a Rute [a viúva], numa das conversas que tivemos e que está no livro, em que ela dizia: 'Nós éramos um casal de chatos, basicamente, porque não fumávamos, não bebíamos, não tomávamos café, não gostávamos de sair à noite, o que gostávamos mesmo era de estar em casa, às vezes o Diogo a jogar Playstation, porque ele tinha uma paixão tremenda pelos e-sports, ver filmes, sei lá, na televisão, na Netflix, ter amigos em casa para jogar jogos de tabuleiro, isso é que nos dava prazer'", explicou o autor, enaltecendo o testemunho de coragem de Rute, que aceitou regressar a memórias tão difíceis.

"A Rute, que aos 29 anos tem diante de si a tarefa de criar três crianças, viu num instante a vida voltar-se-lhe do avesso. Com coragem, dispôs-se a falar para esta biografia, naquelas que foram, tal como aconteceu com a Isabel, o Joaquim e a Paula [os pais e a namorada de André Silva, que também morreu no desastre], as únicas declarações sobre a tragédia. Há duas semanas, a Rute foi convidada por uma das maiores televisões do mundo, pertencente a uma cadeia norte-americana, para dar uma entrevista sobre a vida que partilhou com Diogo, e que teria divulgação planetária. Recusou. 'Só quero que me deixem sossegada no meu canto', disse-me", concluiu José Manuel Delgado.

Um canto necessariamente diferente em que Rute está a aprender a estar depois da partida abrupta do seu eterno amor, enquanto tenta refazer a vida com foco nos filhos e no desporto, que tem ajudado a apaziguar a sua dor.

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