José Manuel Torres Couto, 78 anos, foi o fundador da central sindical União Geral de Trabalhadores (UGT) e seu primeiro secretário-geral. Dedicou-se à vida sindical durante 17 anos e, posteriormente, abraçou alguns desafios políticos tendo sido deputado ao Parlamento Europeu de 1989 a 1999, eleito pelo PS.
Desde que deixou a política reduziu também a sua vida pública e já há algum tempo que não se tem notícias do líder histórico da UGT.
Contudo, através de uma reportagem da TVI - que irá para o ar na noite desta terça-feira, 11 - fica-se a saber que Torres Couto "é uma das mais recentes vítimas: ficou tetraplégico após um carro ter embatido a 180 km/hora contra a viatura na qual seguia." É o próprio que relata o que aconteceu:
"Ia na faixa do meio da autoestrada e de repente começou a chover bastante. Quem conduzia era a minha mulher. Nesse preciso momento, um carro entrou em despiste e bateu na nossa traseira. Deslizámos quase 300 metros na autoestrada, a fazer piões, e fomos chocar contra outro carro", explicou.
"Logo no momento em que batemos senti que foi o cinto de segurança que me prendeu e fiquei logo tetraplégico”, contou, acrescentando que ficou aliviado ao perceber que a mulher não tinha sofrido ferimentos graves. "Pensei que ela teria morrido. Mas eu já não tinha sensibilidade nenhuma do pescoço para baixo. Felizmente vi-a fora do carro, o que me deu tranquilidade. Mas perdi tudo. Só pensei que ia morrer naquele instante."
Torres Couto recordou que as dores foram "descomunais". "É como receber 300 ou 400 choques elétricos a cada instante. É uma coisa horrível, horrível, horrível”, referiu, acrescentando que o condutor do outro veículo pediu-lhe perdão, quando se encontrava dentro da ambulância.
Agora, o histórico dirigente sindical admite que trava "o maior combate" da sua vida. "Ao principio a minha vontade era morrer. Mas faço tudo o que me pedem para melhorar os meus movimentos, com lágrimas, dor, sempre perto da minha família, que está desesperada com a situação em que me encontro."
"Eu perdi tudo!", garante o antigo sindicalista que revela ainda que na hora do acidente chegou a pensar "que morria naquele instante".