Aos 64 anos, José Wallenstein conta com 44 de carreira, da qual se destacam vários papéis de vilão... algo que adora fazer.
"Já fiz [personagens boazinhas], acho aborrecido ser sempre politicamente correto. Acho tão enfadonho, já me basta ser bonzinho na vida", revelou, em entrevista à 'Nova Gente'.
Nascido numa família com uma forte ligação às artes, de ascendência açoriana e alemã, o ator era muito próximo dos pais de quem diz ter herdado os valores, mas assume que não tem um feitio fácil.
"Herdei valores, acho que sou estruturalmente uma boa pessoa, desde que não me pisem os calos. Posso ser violento, mesmo. Desde criança, a minha mãe dizia que eu era um miúdo assustado e se me magoavam, eu reagia de uma forma intempestiva, até agressiva. Hoje em dia, ainda sou assim. Tenho muita tolerância, mas se me tocam certos pontos em que me sinto ferido, posso começar ao pontapé [risos]", explicou.
O ator recordou ainda a trágica morte do filho, Simão, que tinha trissomia 21, aos 5 meses de idade, devido a um problema de má-formação cardíaca.
"Fiz o meu luto, foi uma dor tremenda. Mas assumo que também é um grande alívio", começou por dizer.
"Vejo pais com crianças com trissomia 21 e são eternas crianças, são pessoas muito dependentes (...) Fiz o melhor que pude e, neste momento, vivo completamente pacificado com isso. Para quem leia esta entrevista e tem essa experiência, não se culpabilizem se se sentirem aliviados. (..) Vejo muitas vezes em mim o que seria a minha vida ter um bebé grande a vida inteira. Portanto, digo com a maior honestidade, foi uma dor, mas um alívio", rematou.