Durante cerca de 15 anos, houve uma presença de quatro patas que fez parte da vida de Nuno Markl e da sua família. Flor, a cadela que acompanhou o humorista durante grande parte da sua vida adulta, morreu depois de uma doença que evoluiu de forma rápida e deixou a família perante uma despedida que, apesar de esperada, não se tornou mais fácil.
Nuno Markl contou que Flor tinha 16 ou 17 anos e que, durante a maior parte desse tempo, gozou de uma “saúde de ferro”. Era uma cadela de personalidade vincada, com uma enorme ligação aos seres humanos e um lado territorial que lhe valeu a descrição bem-humorada de “terrorista do bairro”.
Foi nos últimos tempos que tudo mudou. Um tumor que, segundo o humorista, permaneceu silencioso e sem sintomas foi crescendo até se manifestar nos pulmões. Quando a doença deu sinais, Flor já estava muito debilitada e acabou por ser consumida em poucas semanas.
“Está-se preparado, mas nunca se está preparado”, escreveu Nuno Markl ao despedir-se da companheira. O momento final revelou-se particularmente duro: “Chorei como uma criança abraçado à outrora terrorista do bairro, hoje pele e osso, olhos suplicantes que nunca perderam a limpidez”, confessou.
A partida de Flor deixa também Chiclete, a outra cadela da família, sem a companheira que fez parte da sua vida durante tantos anos. Nuno Markl sabe que a cadela vai sentir a falta daquela presença e não esconde que a despedida será difícil para ambos: “Vamos ter saudades. A Chiclete vai ter saudades”, escreveu.
Mas a despedida trouxe consigo outra memória. Uva, uma antiga companheira de Flor, já tinha morrido há alguns anos e, pouco depois, Nuno Markl e a namorada, a ilustradora Teresa Sacramento, desenharam um mural na parede do quarto. Naquela altura, "Flor ainda estava forte e Chiclete era apenas uma cachorrinha". Agora, Nuno Markl prefere imaginar que Flor e Uva voltaram a encontrar-se. “Quero acreditar que no Céu dos Cães, a Flor vai reencontrar a sua velha amiga Uva.”