Beatriz Lebre tinha 23 anos, era natural de Elvas e estudava Psicologia em Lisboa. No ISCTE, frequentava o mestrado em Psicologia Social e das Organizações. Fora da faculdade, interessava-se por música, cinema, teatro, filosofia e literatura. O piano era uma das suas grandes paixões.
A família deixou de conseguir contactá-la em maio de 2020. As buscas terminaram de forma trágica a 29 de maio, quando o corpo da estudante foi encontrado no rio Tejo, junto a Santa Apolónia. Rúben Couto, de 25 anos, colega de mestrado, tinha confessado o homicídio. O crime ocorrera uma semana antes, na noite de 22 de maio.
A investigação apontou para uma aproximação amorosa não correspondida. Mas Paula Lebre fez questão de corrigir uma versão que começou a circular na comunicação social: Rúben Couto não era namorado da filha. Eram colegas de faculdade. A mãe não queria que lhe fosse atribuída uma relação que Beatriz não reconhecia — muito menos que essa ideia ficasse associada à memória da jovem.
O processo nunca chegou a julgamento. Rúben Couto, que estava em prisão preventiva, foi encontrado morto no Estabelecimento Prisional de Lisboa, no início de julho de 2020. A sua morte deixou por realizar o julgamento que permitiria discutir o caso em tribunal.
Agora, Paula Lebre prepara-se para publicar 'Beatriz: uma melodia interrompida'. O livro chega às livrarias em outubro e nasce da vontade de recuperar a vida da filha para lá das notícias sobre o homicídio. Nas palavras da editora, a obra reúne memórias de uma mãe que procura prolongar no livro a existência de Beatriz e chamar a atenção para a violência contra as mulheres.
A publicação tem lançamento marcado para 24 de outubro, em Elvas, e para 28 de outubro, no ISCTE, em Lisboa — dois lugares ligados à vida de Beatriz.