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"Quando a Teresa morreu eu não escrevi. E não fui ao funeral ou ao velório – raramente frequento despedidas, só o faço quando a ausência possa ser incómoda. É obrigatório que fique escrito o essencial, o que talvez vários tenham esquecido por força de uma polémica que desviou atenções da sua marcante passagem por aqui", começa assim o habitual 'Postal do Dia' de Luís Osório que desta vez decidiu escrever sobre Teresa Caeiro, a antiga deputada do CDS-PP falecida em agosto passado.
Continua o escritor: "Em agosto faz um ano que morreu a pessoa com o sorriso mais bonito entre todas as que conheci. Um sorriso empático, desarmante, de luz. Teresa Caeiro era única por ser uma sucessão de deliciosos paradoxos que a tornaram irrepetível…", e continua a traçar o perfil elogioso daquela que foi Governadora Civil de Lisboa: "Uma mulher de direita, mas libertária. Uma cosmopolita, mas solitária. Fortemente eloquente, mas insegura.Fumadora, mas nunca à frente dos pais. Com uma educação rígida, mas aspirante à liberdade e até á irresponsabilidade. Poliglota, mas eternamente à procura de uma palavra única que resolvesse todas as equações que a atormentavam."
Luís Osório revela também: "Conversei várias vezes com a Teresa. Achava-a irresistível – mesmo depois de se ter escondido do mundo, mesmo quando acreditou que nela desertara toda a luz, eu nunca deixei de sentir a fortíssima impressão de que era única. A Teresa ajudou muitas pessoas. A partir de certa altura tornou-se uma espécie de desígnio, fazer as coisas acontecer, mexer no concreto, ser útil. O meu pai deveu-lhe alguns favores nos seus anos mais penosos – e era comunista, o que para a Teresa tanto se lhe deu."
"Podia ter sido mais, ter sido tudo. Era inteligente, rápida, bem preparada. Podia ter apanhado o comboio certo, mas não o quis, decidiu não o fazer, preferiu prosseguir num difícil caminho de pedras. Quero contar-te da Teresa a quem nunca chamei Teggy. Não gosto dos nomes enfeitados, na volta é um preconceito de classe ao contrário, não sei. Chamava-lhe querida Teresa. E ela sorria, o mais bonito sorriso da minha vida. E abria-o mais quando falava do Pedro, o miúdo hoje crescido que é o seu único filho – dela e do Vasco, alguém de quem gosto sem o conhecer para lá da superficialidade. Falava também de uma irmã com quem nunca me cruzei", lê-se ainda neste 'Postal do Dia' dedicado a Teresa Caeiro.
Termina Luís Osório com uma mensagem dirigida ao único filho de Teresa Caeiro, Pedro: "Lia muito. Era muito intensa. Muito generosa. Muito romântica. Muito idealista. Muito otimista, mas quando era pessimista era muito também. Teresa Caeiro era muito. Era tudo. Fugiu toda a sua vida do menos, do suficiente, do medo. Por isso, também o medo era muito.E a insegurança, muita. Era desmesurada e absoluta. De uma gentileza transversal a ricos e pobres, a cultos e incultos. Em agosto faz um ano que partiu. Querido Pedro, deixa-me que te diga: não podias ter tido uma mãe mais extraordinária de tão devastadoramente única. Que sejas muito o que decidires ser. Foge do menos.Escolhe o absoluto."