Tudo isto poderia fazer parte de um filme. Uma espécie de filme de terror, que em certos momentos se transforma numa história de beleza rara. Como ‘Hamnet’, aquela ficção que conta a história de ‘Hamlet’, a peça universalmente famosa de Shakespeare, que nos arrepia, nos faz chorar e onde descobrimos um bocadinho mais de sobre nós próprios e o que andamos a fazer neste mundo.
Na passada semana, no meio da abominável história das crianças de 3 e 5 anos abandonadas numa estrada de Alcácer, cruzei-me com o anjo da guarda destas. Ou melhor, os anjos:Alexandre e Carla. Têm 10 filhos, uma escadinha longa, começada a formar há mais de 20 anos. Habitados a catraios, foi com calma que deram guarida àqueles dois pobrezinhos que só queriam brincar e um abraço apertado. Carinho, era de carinho, de amor que precisavam. Tudo isto Alexandre e Carla contaram, a mim, à conversa, e nas entrevistas que deram na CMTV, no Now e em demais meios. Há duas noites que Alexandre, o padeiro, dormia duas horas. Não dava para mais. Não conseguia. Contava e emocionava-se, vinha aquela ‘lagriminha’ ao olho. Não era só a ele. Ouvi-lo, numa lição de humildade e de vida, tinha o mesmo resultado:uma emoção inesperada e um questionamento – o que queremos da vida. Oque andamos aqui a fazer. Pensar é tramado, não é?