Já todos sabemos que há verdadeiros estrategas de reality shows, normalmente os que assumem o papel do vilão. Bruno Savate ou Miguel Vicente são dois exemplos óbvios, cada um com personagens criadas bem definidas. Catarina Miranda é a vilã estratega no feminino, com uma nuance: ela encarna verdadeiramente a personagem, acreditando nela, confundindo até, por vezes, o que se passa no ecrã e nas redes sociais em seu redor, com a realidade. O episódio “Afonso traiu-me” é talvez o topo da hierarquia da criação de conteúdo televisivo num reality show. Numa semana, conseguiu levar o que se passava fora do ecrã para dentro dele. Mais:tornou a TVIsua cúmplice, obrigando-a a quebrar regras, a levar a realidade para o mundo paralelo do reality, em nome de melhores audiências numa noite de domingo. Catarina sabia o que fazia e sabia que a TVI precisava da ‘novela’ que ela própria tinha criado com a sua vida. A questão é: estará Catarina consciente que há caminhos sem retorno? Que quando se escalam as atitudes, elas podem ter consequências? Que nunca mais a família do namorado terá a mesma relação com ela, mesmo que mais tarde ela diga que só fez isso para lhe dar a vitória? Manipular a vida de alguém e a sua própria não é estratégia, é irresponsabilidade. E faz-nos questionar até onde podem ir programas destes.