Há um tempo, nas nossas vidas, em que acreditamos. São os anos em que somos uma aproximação a adultos, tendo já feito ou não 18 anos, pouco interessa. Os anos em que apontamos o rosto ao Sol sem medos, em que respiramos água de mar, em que cantamos estrada fora, sem destino nenhum. “Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar/ De uma forma ou outra há de haver uma hora para a vontade de parar/ Talvez um dia me encontre...” A letra de ‘125 Azul’, dos Trovante, na voz de Luís Represas, que nos últimos dias entoámos em silêncio, só para nós, num lamento pela partida prematura do músico, é uma espécie de hino àquilo que fomos e perdemos, sem querer, pelo caminho, sem saber bem como. Àquilo que fomos e de que, em certos momentos, temos saudades. De ter poucas certezas, muitos sonhos, desejo de percorrer estrada com vento quente no cara de um estio que está só a começar. Saudades daquele nós. Saudades de acreditar. “Entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar/ Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar/ Será que existe em mim um passaporte para sonhar/ E a fúria de viver é mesmo fúria de acabar”. Descansa em paz, Luís. Continuarem a lutar por não perder as referências. “Assim, talvez me encontre”.