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Toiros

Toureiro "louco" despede-se de Lisboa

Brinca com a morte cada vez que entra na arena. Arrisca como poucos na cara do toiro o que já lhe valeu inúmeras cornadas. Numa delas perdeu o olho esquerdo e por isso usa uma pala responsável pela alcunha de 'El Pirata'. Juan José Padilla vai retirar-se e despede-se dos portugueses quinta-feira, no Campo Pequeno.
19 de setembro de 2018 às 21:19
Juan José Padilla: O 'El Pirata' da arena mostra mansão luxuosa em Espanha
O toureiro junto à piscina da sua luxuosa casa, em Espanha
Juan José Padilla
Juan José Padilla
juan josé padilla
Juan José Padilla
juan josé padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
juan josé padilla
Juan José Padilla
juan josé padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla
Juan José Padilla

Ver uma atuação do matador de toiros Juan José Padilla na arena é um misto de susto e encanto. As emoções correm descontroladas. A arte do maestro é imensa, do tamanho do seu coração que aguenta enormidades na cara do toiro.

Vê-lo ajoelhado na areia dourada a receber o oponente de mais de 500 quilos, a rodopiar o capote, imóvel, a jogar com a morte, uma e outra vez, desperta-nos emoções nunca antes vividas. Arrisca, arrima-se horrores, quer triunfar. Mais que isso, quer emocionar as gentes aficionadas que conquista a cada lide. Essa procura já lhe valeu inúmeras cornadas – 39. Numa perdeu o olho esquerdo. Mais recentemente, em Ávila, perdeu parte do couro cabeludo.

As imagens dramáticas da violenta cornada de Padilla
Juan José Padilla sofre duas violentas cornadas, em Valência
O toureiro espanhol Juan José Padilla em Valência
Na temporada 2016, Padilla foi um dos triunfadores do Campo Pequeno, em Lisboa
Em 2016,
Juan José Padilla voltou a sofrer duas graves cornadas
Juan José Padilla, colhida, Valência

Chegou a hora de Padilla dizer adeus às arenas e despir o 'traje de luces'. Juan José Padilla despede-se de Lisboa na noturna de quinta-feira, no Campo Pequeno, ao lado dos cavaleiros João Maria Caetano e Duarte Pinto. Fica a entrevista com o toureiro de Jerez de la Frontera, Andaluzia.

Quando tomou a decisão de se retirar no final desta temporada?

No ano passado, após a feira de Pilar, disse à minha família e aos meus pais, que em 2018 faria 25 temporadas em activo e pareceu apropriado que no final da temporada me despediria das arenas, depois de ter recebido do toureio mais do que alguma vez sonhara.

Que balanço faz desta temporada de despedida?

Mais do que um balanço, ficam as recordações de grandes e sentidas emoções. Não houve uma única praça onde não tivesse havido um detalhe que guarde na memória. O público mostrou ter memória e tem sido muito grato comigo. Grato e respeitoso. Tudo isto tem sido também possível por muitas das empresas terem querido contar com a minha presença nos cartéis desta temporada.

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Na temporada 2016, Padilla foi um dos triunfadores do Campo Pequeno, em Lisboa

Porque incluiu Lisboa nesta gíria de despedida?

Criei uns laços muito profundo com Lisboa, depois dos triunfos que obtive no Campo Pequeno. A forma como o público e a empresa me têm tratado tem sido espectacular. Aproveito para recordar e agradecer a entrega do prémio de triunfador na temporada de 2016 e o facto de, no dia da entrega, num jantar no final desse ano, no Campo Pequeno, ter sido levado em ombros pelos aficionados presentes, encontrando-me vestido de "paisano".

Como sente o público do Campo Pequeno?

Antes de mais, quero agradecer a Rui Bento Vasques a oportunidade que me deu para me apresentar no Campo Pequeno. Tinha um desejo especial de tourear em Lisboa, pela categoria da sua praça e da sua afición, uma afición tão exigente quanto sensível, que me emociona e apaixona pela sua entrega.

Que mais aprecia no Campo Pequeno?

A tudo o que já referi, acrescentaria ainda as suas fantásticas instalações e a sua inigualável arquitectura...

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Juan José Padilla Foto: Liliana Pereira

Qual o momento mais importante da sua trajetória profissional e o mais dramático?

Durante as minhas 25 temporadas de matador de toiros tive de todos os momentos que se podem viver numa carreira larga e de muito risco, mas igualmente recheada de grandes emoções. Tive muitas bênçãos de Deus e, quando digo isto, é porque estou convencido de que o sofrimento é parte da glória. Se é verdade que paguei com graves cornadas esse tributo à glória, como aconteceu em Huesca, Pamplona, Valencia e Zaragoza (a mais grave de todas) também tive imensas bênçãos divinas como foram as saídas em ombros pela Porta do Príncipe (Sevilha), o indulto de um toiro na Praça México, ser triunfador nos "Sanfermines" em vários anos, ter liderado o "Escalafón" em três temporadas, são ocasiões que significam para mim a recompensa pelo meu esforço

Quantas cornadas sofreu ao longo da sua carreira?

39 cornadas contando as de alguns tentaderos.

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Juan José Padilla

Que balanço faz da sua trajectória profissional?

Sinto-me feliz e orgulhoso de tudo quanto vivi na minha profissão. Nunca imaginei que poderia merecer tanto respeito e admiração da parte dos meus companheiros e, em geral de toda a sociedade e essa é a maior satisfação que podemos levar no momento da retirada.

Como gostaria que os aficionados o recordassem?

A essa pergunta, não deveria ser eu a responder…

Que conselho daria a um jovem que queira ser toureiro?

Que com disciplina, constância e tenacidade tudo se consegue...

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Juan José Padilla voltou a sofrer duas graves cornadas

E despois do adeus às arenas…?

Estarei sempre nas mãos de Deus. Agora estou concentrado naquilo que me compete que é deixar a melhor das recordações em cada uma das arenas que piso.

Gostaria de deixar uma mensagem de despedida aos aficionados portugueses?

Admiro e respeito os aficionados portugueses. Agradeço-vos de todo o coração todas as mostras de carinho e respeito que de vós recebi. Se Deus quiser, continuaremos a ver-nos, pois embora o traje de luces fique guardado, a minha pessoa continuará a apoiar e a disfrutar da festa de toiros, da nossa cultura e estarei sempre pronto para visitar Lisboa.

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