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Afinal a pandemia não “serviu” para nada: os 4 erros que as nações continuam a fazer segundo António Guterres

Previamente à reunião do G7, o secretário-geral das Nações Unidas falou sobre os erros cometidos em relação à crise climática.
Por Afonso Coelho | 14 de junho de 2021 às 07:00
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António Guterres Foto: Cofina Media

Na antecâmara da reunião do G7, em Londres, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, falou ao jornal britânico 'The Guardian' sobre alguma desilusão pela forma como o processo ambiental fora gerido na pandemia. Eis alguns dos equívocos que o antigo primeiro ministro português mencionou:

1. Os combustíveis fósseis foram mais financiados do que a energia renovável

O cenário de pandemia poderia ser uma oportunidade de ouro para amenizar a transição para uma economia mais responsável a nível ambiental. Mas não foi isso que sucedeu: "Estou mais que desapontado, estou preocupado", disse, sobre o facto de os países mais ricos terem investido mais vários milhares de milhões de dólares em combustíveis fósseis do que fizeram em energia renovável. Mais precisamente, foram gastos 189 mil milhões nos países do G7 em apoios ao petróleo, carvão e gás natural, incluindo os resgates a companhias aéreas e ao setor automóvel, o que se traduz numa margem de 40 mil milhões em relação àquilo que foi investido em energias renováveis.

2. Continuam-se a subsidiar os combustíveis fósseis

Terminou o financiamento internacional em carvão, após decisão do G7, algo que António Guterres aplaudiu por "muitos países ainda estarem viciados em carvão", mas milhares de milhões ainda foram investidos em gás natural, um combustível fóssil que cria dióxido de carbono quando é queimado e tem um peso muito significativo na pegada ecológica. Afirmou ainda o secretário-geral das Nações Unidas que "necessitamos de abolir os subsídios aos combustíveis fósseis, temos de olhar para os custos reais que existem na economia. Muitos dos investimentos feitos em combustíveis fósseis não serão rentáveis na fase de retoma se isto for executado."

3. Os países em desenvolvimento continuam a não receber o dinheiro prometido para a adaptação aos impactos da crise climática

No Acordo de Paris em 2015, os países mais ricos prometeram uma transferência de 100 mil milhões de dólares ao ano para auxiliar na adaptação dos impactos reais da crise climática, como a seca, as inundações ou as ondas de calor. Todavia, estes fundos ainda não foram entregues e precisam de o ser para que haja "confiança". Guterres adiu que "a ação climática esteve centrada na mitigação, mas estes países já sofreram as consequências das alterações climáticas."

4. O mundo irá ultrapassar o limite de aumento médio de temperatura estipulado no Acordo de Paris

Os estudos científicos avisaram que o limite imposto no Acordo de Paris – um aumento médio de 1,5ºC  por ano – e que isso poderá acontecer já nos próximos 5 anos. Para o secretário-geral da Organização Metereológica Mundial, isto terá efeitos práticos como o derreter do gelo e o aumento do nível do mar. Guterres anuiu, "é imperativo evitar que o aquecimento global ultrapasse este limite", disse, "temos tempo, mas estamos na borda e quando se está perto do abismo, é necessário ter a certeza que o próximo passo é no sentido certo."

No cômputo geral é possível verificar que já foi tomada um vasto leque de medidas, mas que estas não são, de forma alguma, a extensão possível da potencialidade dos grandes países na luta contra o aquecimento global e a crise climática. As declarações de Guterres, assim como as da maioria dos cientistas que se debruçaram sobre o futuro imediato, as consequências de uma inércia globalizada serão gravíssimas e é impensável que as superpotências económicas não façam o máximo possível para que a situação não chegue a esse ponto.

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