Os gritos de revolta têm sido inúmeros e claros: se não se fizer alguma coisa, uma das principais montras portuguesas para o turismo vai esvaziar-se até nada restar. Com o preço dos alimentos a disparar, Ljubomir Stanisic admite que não consegue ter lucro na maior parte dos meses e para Pedro Cardoso, do Solar dos Presuntos, é urgente que os espaços se reinventem para combaterem a crise. O que está a ser feito e como os profissionais estão a encarar os tempos de mudança.
Com a subida do preço das matérias-primas, chefs premiados lutam, a custo, para manter as portas dos seus restaurantes abertas e alertam para o ano negro que se avizinha. Já há espaços a fechar e, num grito de revolta, Rui Paula admite que muitos outros se seguirão, enquanto as grandes superfícies apresentam "lucros astronómicos". Dificuldades partilhadas por Ljubomir Stanisic que, neste momento, admite que trabalha para pagar contas, não atingindo o lucro ao final de cada mês.
2025 foi o ano em que Marlene Vieira viu o seu talento consagrado a nível inrternacional: começou com uma Estrela Michelin e termina com a distinção de melhor chef da Europa, num percurso que tem trilhado com consistência e sucesso, lembrando à jovem Marlene que aos 12 anos já trabalhava em restaurantes nas férias e acabaria irremediavelmente apaixonada pela cozinha.
Perda da Estrela Michelin levou a um rombo financeiro no 100 Maneiras do famoso chef que, num momento difícil, disse ter sofrido com traições por parte do staff. Com menos 40% de faturação mensal, sem o ordenado de sonho da SIC, enfrenta ainda um processo milionário em tribunal, enquanto luta para se manter à tona, num pesadelo que o fará, certamente, reviver um dos anos mais dramáticos da sua vida, quando foi obrigado a fechar o seu restaurante de sonho, depois de ter acumulado uma dívida de meio milhão.
Cresceu numa cozinha do restaurante do pai, Michel, e, por isso, abrir os seus próprios espaços foi um percurso natural. Já teve todo o tipo de restaurantes, fechou uns e abriu outros tantos, mas apesar das conquistas assume a mágoa de não ser reconhecido pelos colegas. Tem confiança no que faz, mas sabe ver quando o vizinho do lado faz melhor, como é o caso de Miguel Guedes de Sousa, o 'restaurateur' marido de Paula Amorim. "O nosso amigo Manota pode abrir o que quiser. E ele tem o melhor conceito, é o melhor de todos."
Chef bósnio perdeu a mais alta distinção da gastronomia no início deste ano e já está a sofrer com as mudanças no estatuto, que estão a ter interferência direta nos seus negócios. Admite que a Estrela caiu porque "fala demais" e não se relaciona com as pessoas certas e que o primeiro abalo chegou, numa altura em que também viu o contrato mais profícuo da sua vida chegar ao fim.
O País até pode ter perdido um bom engenheiro, mas a cozinha portuguesa ganhou um chef de excelência, reconhecido pelo Guia Michelin com uma estrela e uma recomendação. A "consequência natural de um trabalho diário rigoroso e apaixonado", como refere Pedro Lemos que, na cozinha, se sente "completo, com liberdade artística, emocional e sensorial". Fica a conversa.
Aprendeu o "verdadeiro significado da comida" a observar a mãe e a avô, durante os tempos de infância em Alijó, "no calor da tradição e do afeto". Com raízes profundas na gastronomia tradicional, a cozinha deste chef com duas estrelas Michelin é “contemporânea na apresentação, na técnica, na criatividade”. Em cada prato que cria, Rui Paula quer ir para além dos sabores, procura que as suas criações sejam um “despertar dos sentidos”. A FLASH! Verão 2025 conversou longamente com ele.