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Em 2010, José Mourinho assinava pelo Real Madrid com o estatuto de super estrela. Vinha de quatro épocas no Chelsea que fizeram dele o 'Special One' e duas no Inter Milão, sendo que a chegada à capital espanhola foi apoteótica. À semelhança daquilo que é a sua imagem de marca, a passagem por Madrid não deixou ninguém indiferente: foram três anos muito intensos, que culminaram com uma saída tensa, que o treinador poderá agora fazer esquecer com o seu dado como certo regresso ao clube.
Em 2013, porém, o adeus não podia ter sido mais polémico, com todas as semanas a haver motivo para 'bombas' a explodir na imprensa. No último ano em Madrid, o português foi acusado de dividir o balneário, o que começou com a sua decisão mais polémica, a de tirar Iker Casillas da titularidade. O craque era então o grande capitão do clube e o mal-estar instalou-se de pronto, falando-se numa divisão interna segmentada em dois grupos. De um lado estavam os portugueses Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão e Pepe, do outro Casillas, Xavi Alonso e Sergio Ramos. No entanto, com o avançar da época, o treinador perderia também a confiança dos portugueses, com rumores de que tanto a relação com Pepe como CR7 tinha arrefecido. Diz-se, aliás, que essa é uma das grandes lições que o técnico pode ter aprendido e que não quererá repetir: a alimentar polémicas com as superestrelas, num clube que vive destes fenómenos.
Um adeus de má memória, que agora ninguém quer recordar na altura do regresso de Mourinho, até porque 15 anos depois tudo mudou, tanto na vida profissional, como na vida pessoal do português. Se quando chegou a Espanha, o técnico tinha toda a família a acompanhá-lo. Na altura, os filhos ainda estavam em idade escolar e Mourinho quis proporcionar-lhes a vida mais segura e confortável. Para isso, instalou-se no exclusivo bairro de La Finca - onde Ronaldo também tem casa - arrendando uma moradia pela qual pagava 20 mil euros mensais. Na altura, a escolha fez todo o sentido, uma vez que a mulher, Matilde, e os dois filhos iriam desfrutar bastante dos espaços verdes do condomínio, bem como da segurança e do bem-estar a ele adjacentes.
No entanto, agora a realidade é em tudo diferente e a questão impõe-se. Será que Mou vai voltar a escolher uma moradia de luxo para morar ou, por outro lado, fará como nos últimos anos e encarar a cidade como um mero dormitório, não criando raízes em parte alguma. Para compreendermos esta posição, temos de recuar aos últimos tempos do 'Special One', sobretudo na derradeira passagem por Manchester, quando chegou a residir num hotel, e principalmente quando deixou Inglaterra. Na altura, e com os filhos Matilde e José Mário já independentes e nas respetivas universidades, não faria mais continuar a idealizar uma vida em família, no sentido do termo a que estava habituado e quando em 2021 aceita o desafio de ir treinar o AS Roma já o faz sozinho. Quando chegou ao Benfica, esclareceu, aliás, isso mesmo. Que não era o apelo de um regresso a casa – a família tem uma moradia em Azeitão – que o fazia treinar o Benfica, mas sim o projeto desportivo em si.
"Tive a oportunidade de treinar um gigante e foi isso que me trouxe. O centro de estágio é a minha casa e é no Seixal, em Roma ou em Milão, não muda nada", afirmou em conferência de imprensa, para de seguida acrescentar. "A minha casa é em Londres. A nossa casa principal de família é em Londres, não vim para Portugal porque da minha casa em Azeitão ao Seixal são 20 minutos."
E na verdade foram mais as vezes que o vimos no centro de estágio do que noutro local qualquer. Mourinho dormia frequentemente no Seixal, numa dedicação total ao futebol que é a sua imagem de marca e à qual a família já se habituou. Por exemplo, o casamento com Matilde há muito que é vivido nesta dinâmica e funciona assim. Na maior parte do tempo, os dois podem levar vidas independentes, mas encontram-se em momentos-chave, nos quais mostram que a cumplicidade não é forçada. Por exemplo, ainda durante os meses que o treinador esteve em Lisboa o pudemos ver em imagens em que, apanhado desprevenido, surgia a passear na Avenida da Liberdade abraçado a Tami, o seu amor de sempre.
Quem conhece Mourinho, diz que é assim que ele se sente feliz, num compromisso total com o futebol e que, sabendo que os seus estão bem, pode viver sozinho em qualquer parte do mundo, como aconteceu no ano em que passou na Turquia, em que nem se deu ao trabalho de encontrar uma casa.
Na chegada ao Fenerbahce, em julho de 2024, Mourinho instalou-se num dos hotéis mais exclusivos da cidade, o Four Seasons, um antigo palácio recuperado, e não mais de lá saiu. Desde esse momento, o clube tentou aliciar várias vezes o Special One a mudar-se para um apartamento mas a verdade é que este nunca deixou o hotel, onde vivia como um autêntico rei. Quando não estava nos treinos, mal saía do espaço, que tinha tudo: piscina interior e exterior, restaurantes de chef e uma maravilhosa suite com vista para o Rio Bósfaro.
Em relação à vida que por lá levava, o 'Daily Mail' chegou a noticiar que Mourinho tinha por hábito pedir uma canja para o jantar, acompanhada de uma pizza margarita. Para quebrar a monotonia, podia sair para um passeio nas imediações, acabando por ir sozinho a um kebab próximo do hotel. Uma vida tão milionária quanto solitária a que Mourinho já habituou todos à sua volta, não escondendo que vive e respira futebol em quase todos os dias do ano.