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Arrepiante! 'Stefania', a música que se tornou símbolo da resistência ucraniana e que venceu a Eurovisão

Os ucranianos Kalush Orchestra eram os favoritos para ganhar o Festival da Eurovisão (51% das preferências) e arrecadaram mesmo o troféu, no sábado à noite, em Turim. A vitória até pode estar apenas carregada de solidariedade e simbolismo político, mas a história do grupo está já a inspirar toda a Europa. Um dos elementos da banda, por exemplo, não esteve presente no palco porque decidiu ficar em Kiev a combater.
Miguel Azevedo
Miguel Azevedo
12 de maio de 2022 às 22:45
Quem são os Kalush Orchestra, a banda ucraniana que está a dar que falar e pode ganhar a Eurovisão
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra numa performance na Ucrânia já durante a guerra
Kalush Orchestra em Jerusalém, este ano
Kalush Orchestra em Jerusalém este ano
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra
Kalush Orchestra

A canção 'Stefania', com a qual os ucranianos Kakush Orchestra concorrem ao Festival da Eurovisão, foi escrita e composta ainda antes da guerra começar, pelo vocalista, Oleh Psiuk, de 27 anos, tão simplesmente a pensar na mãe. Mas há um verso que ganhou novo sentido e representa hoje um país inteiro naquela que tem sido a crença e a resistência da Ucrânia na guerra contra a Rússia: "Eu sempre regressarei até ti/ mesmo que as estradas estejam todas destruídas".

Lembrava Psiuk durante a conferência de imprensa da Eurovisão, no passado dia 5 de maio, que "todos os ucranianos passaram a identificar-se com aquela música no desejo de regressar a casa e às suas mães". E avisava: "Não pensem que a guerra é um filme distante a que estão a assistir. A Ucrânia é o centro da Europa e esta guerra brutal está a acontecer aqui". Stefania, a mãe de Oleh, que está retida na Ucrânia, vai acompanhar a atuação do filho à distância a partir de um bunker. 

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Os Kalush Orchestra numa performance na Ucrânia, durante a guerra Foto: Reuters

O destino parecia que estava escrito para que os Kalush Orchestra fossem os representantes da Ucrânia na Eurovisão. O grupo tinha ficado em segundo lugar no festival do seu país, mas acabou por ser convidado a participar na Eurovisão depois de uma polémica com a vencedora, Alina Pash. A cantora foi afastada da final após ter sido acusada de entrar na península da Crimeia pela Rússia (a Ucrânia só permite a entrada na Crimeia através da fronteira terrestre que controla).

O grupo soube que tinha sido repescado dois dias antes da guerra começar. A 24 de fevereiro, no entanto, quando regressavam de um espetáculo em Dnipro, às cinco da manhã, foram de imediato confrontados com a dura realidade. "Vimos as primeiras explosões em Boryspil (aeroporto, a sudoeste de Kiev)", recordou Psiuk à revista 'Rolling Stone'. "Foi difícil processar as emoções. Ficámos com medo de nós mesmos, é claro, mas começámos também a ligar para todos os nossos parentes e amigos para saber como estavam". 

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'Muitas explosões nos arredores': Enviado da CMTV em Kiev relata tensão na cidade que acordou com nova ofensiva russa

Depois da invasão russa ter início tudo mudou. O vocalista da banda, por exemplo, viajou de imediato para a sua cidade natal, precisamente Kalush, a oeste da Ucrânia, e criou um grupo de voluntários para ajudar a transportar refugiados para as estações de comboio. Viu-se obrigado a separar-se da namorada, que teve de fugir para uma zona mais segura, e hoje permanece escondida, à sua espera, num bunker a cerca de 300 quilómetros de distância. "Parou tudo. Só pensávamos em nos mantermos vivos. Parei de pensar na Eurovisão", confessou, a propósito, Tymofiy Muzychuk, outro dos elementos do grupo, ao 'The Economist'. 

"Parou tudo. Só pensávamos em nos mantermos vivos. Parei de pensar na Eurovisão"

Tornou-se voluntário e logo no dia a seguir ao início da guerra encheu o carro de comida e coletes à prova de bala para distribuir pela população. Também Mikola Kycheriavyy, empresário da banda, começou por se juntar ao exército na defesa de Kiev, mesmo sem qualquer experiência militar ou de combate. Slavik Hnatenko, outro dos músicos, decidiu apresentar-se na capital do país para combater. Ainda resiste por lá, e por essa razão, é o único que não estará na final de Turim. "Ele está a defender o país e nós estamos a representar todos os ucranianos", diz Psiuk. Mas a guerra também já fez baixas entre o staff do grupo, nomeadamente entre os técnicos de som, pelo que, quando os Kalush Orchestra chegaram a Itália tiveram que receber a ajuda de técnicos italianos para tornarem possível a sua participação.

A chamar agora a atenção da Europa, a canção 'Stefania' ganhou uma vida própria na Ucrânia, assim que estourou a guerra. Passou a ser usada quase como bandeira e hino de resistência e consta que já foi utilizada em mais de 150 mil vídeos de Tiktok, de alguma forma, relacionados com o conflito. Em Lviv, por exemplo, entre os bombardeamentos e a estranha normalidade que se vive, é frequente ouvir-se o refrão da canção a sair dos carros, das lojas e cafés.

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O ataque de mísseis provocou dois feridos. Várias partes do cidade ficaram sem luz.

Para viajarem para Itália numa altura de guerra na Ucrânia, em que os homens acima de 18 anos são mobilizados para o conflito, todos os membros do grupo tiveram de receber uma autorização especial, assinada pelo próprio presidente Volodimir Zelensky. "Sentimos uma grande responsabilidade por estar aqui, visto que recebemos uma permissão especial. Queremos ser o mais úteis que conseguirmos para a nação. Representar o país é uma responsabilidade, representar o país em guerra é a máxima responsabilidade", disseram ainda na chegada a Itália. 

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Kalush Orchestra Foto: getty images

Quando este sábado regressarem a casa, com ou sem o primeiro lugar no Festival da Eurovisão, todos os músicos dos Kalush Orchestra serão destacados para as forças de defesa da nação. Oleh Psiuk, por seu turno voltará ao trabalho na organização sem fins lucrativos que fundou 'De Ty' e que dá apoio a refugiados em questões de habitação, transporte e medicação. 


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