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Do roubo à caixa das esmolas às ruas de Paris: 10 histórias que marcaram a vida de Jorge Palma

Há histórias de Jorge Palma que ficaram escondidas atrás das canções, dos palcos e daquela imagem de artista que atravessou gerações. Algumas são improváveis, outras quase parecem inventadas, mas todas ajudam a descobrir um homem que viveu muito mais do que aquilo que o público conheceu.
Do roubo à caixa das esmolas às ruas de Paris: 10 factos surpreendentes sobre Jorge Palma
Jorge Palma
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 Jorge Palma deixa uma história que não cabe apenas nos discos que gravou ou nos êxitos que Portugal aprendeu a cantar. Houve o menino que tinha um piano como brinquedo, a professora que voltou a entrar na sua vida quase três décadas depois, o adolescente rebelde, o músico que tocou nas ruas, o homem que viveu fora do país e, mais tarde, o pai que partilhou o palco com os filhos. Conheça os episódios que marcaram a vida do respeitado cantautor, que morreu esta terça-feira, 22 de setembro.

1. O piano entrou na sua vida quando ainda era criança

Jorge Palma começou a estudar piano aos seis anos e cedo mostrou que tinha uma relação muito especial com o instrumento. Em entrevista à 'Mensagem de Lisboa', em 2024, recordou a forma como passava horas ao piano e resumiu aquela ligação numa frase simples: “Era o meu brinquedo”. A mãe, que também tinha estudado piano, percebeu as capacidades do filho e incentivou-o a seguir uma formação musical. Aos oito anos, Jorge já fazia a primeira audição no Conservatório Nacional.

2. Teve uma professora de piano que voltou a encontrar quase 30 anos depois

Fernanda Chichorro acompanhou Jorge Palma durante os primeiros anos da sua formação musical. Foi sua professora desde os seis anos e continuou a ensiná-lo até à adolescência, numa altura em que o jovem começava a trocar a música clássica pelo rock. Mas os caminhos dos dois voltariam a cruzar-se. Já adulto, aos 33 anos, Jorge procurou novamente a antiga professora. Fernanda Chichorro ajudou-o a preparar o regresso aos estudos de piano e o músico acabaria por concluir o Curso Superior de Piano em 1990.

3. A adolescência foi marcada pela rebeldia

Antes de se tornar um dos nomes mais respeitados da música portuguesa, Jorge Palma foi um adolescente difícil de controlar. Passou pelo Liceu Camões, começou a faltar às aulas e acabou por ser afastado da escola. Os pais decidiram então enviá-lo para o Colégio Infante de Sagres, em Mouriscas, perto de Abrantes. Era uma tentativa de travar uma adolescência que começava a fugir ao controlo familiar — e que já estava a ser marcada pela descoberta do rock, das saídas e de uma vontade crescente de fazer as coisas à sua maneira.

4. Aos 14 anos, envolveu-se no roubo da caixa das esmolas de uma igreja

É provavelmente uma das histórias mais inesperadas da juventude de Jorge Palma. Quando tinha 14 anos, envolveu-se, com outros jovens, no roubo da caixa das esmolas de uma igreja. O próprio músico contou o episódio numa entrevista de 2004. Uma história que hoje parece quase impossível de associar ao homem que viria a tornar-se uma referência da música portuguesa, mas que ajuda a perceber a irreverência que marcou os seus anos de adolescência.

5. Antes do rock, chegou a ser um pianista premiado

A música clássica não foi apenas uma fase passageira. Jorge Palma teve uma formação séria e chegou a destacar-se enquanto pianista. Aos 12 anos, participou num concurso internacional das Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, onde conquistou o segundo prémio e uma menção honrosa do júri. Pouco depois, porém, a sua atenção começou a virar-se para outras sonoridades. Os Beatles, Bob Dylan, Led Zeppelin e Rolling Stones passaram a fazer parte do seu universo e o piano clássico começou a dividir espaço com o rock.

6. O primeiro disco foi pago com um frigorífico e uma máquina de lavar

Quando gravou o primeiro single, 'The Nine Billion Names of God', em 1972, Jorge Palma recebeu uma forma de pagamento pouco habitual. A editora que lançou o disco também comercializava eletrodomésticos e o músico acabou por receber um frigorífico e uma máquina de lavar roupa. Mais tarde, quando decidiu partir para o estrangeiro, livrou-se dos aparelhos. Era o início de uma carreira que haveria de ganhar outra dimensão, mas também um episódio que mostra como os primeiros passos de Jorge Palma foram tudo menos convencionais.

7. Recusou ir à tropa e partiu para a Dinamarca

Em 1973, Jorge Palma foi chamado para cumprir o serviço militar obrigatório. Recusou e decidiu deixar Portugal, para não ser mobilizado para a Guerra Colonial. Partiu para a Dinamarca com Gisela Branco, a sua primeira mulher, e procurou asilo político. Em Copenhaga, trabalhou num hotel para se sustentar. Só regressaria a Portugal depois do 25 de Abril de 1974. A experiência acabaria por fazer parte de uma fase de viagens e de sobrevivência que o levaria a tocar pelas ruas de várias cidades europeias.

8. Chegou a tocar nas ruas e no metro de Paris

Muito antes dos grandes palcos, Jorge Palma aprendeu a tocar para quem passava. Durante os anos em que viveu e viajou pela Europa, tocou nas ruas e no metro de cidades como Paris e Copenhaga. Guitarra na mão, interpretava temas de Bob Dylan, Led Zeppelin e Leonard Cohen. A rua foi, literalmente, um dos primeiros palcos de uma carreira que mais tarde o levaria às maiores salas portuguesas.

9. Fez parte de bandas que juntaram alguns dos grandes nomes da música portuguesa

Jorge Palma não construiu o percurso apenas a solo. Ainda jovem, integrou os Sindicato, grupo com o qual participou na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971. Mais tarde, criou os Palma’s Gang, ao lado de Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez, dos Rádio Macau. Em 1996, entrou também nos Rio Grande, projeto que juntou nomes como Rui Veloso, Vitorino, Tim e João Gil. Pelo caminho, ainda integrou os Cabeças no Ar e colaborou com inúmeros músicos portugueses.

10. Nos últimos anos, partilhou o palco com os dois filhos

A música acabou por passar para a geração seguinte. Vicente Palma e Francisco Palma seguiram também caminhos ligados à música e, em 2025, os três subiram juntos ao palco no espetáculo '3 Palmas na Mão'. Foi uma das últimas grandes celebrações públicas de uma ligação familiar construída também através das canções. Em abril deste ano, Jorge Palma recebeu ainda o Prémio Carreira dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa, numa distinção que reconheceu mais de cinco décadas dedicadas à música.

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