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O mistério das "chicas" Ketchup! O que aconteceu às irmãs que desapareceram do mapa depois do fenómeno global 'Aserejé'

O êxito que todos conhecem cumpriu o seu vigésimo aniversário. Descubra o que é feito de Pilar, Lola, Lucía e Rocío Muñoz, e se é mesmo verdade que o conjunto ficou milionário com este tema.
Afonso Coelho
Afonso Coelho
16 de junho de 2022 às 22:48
Veja como estão agora as Las Ketchup, 20 anos depois de 'Aserejé'
Las Ketchup
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Corria o verão de 2002 quando um tornado sonoro atravessou todo o planeta a partir da cidade de Córdoba, em Espanha. Sem que muito o fizesse prever, o tema ‘Aserejé’ tornou-se num dos primeiros fenómenos globais da música no século XXI. Foi comparado à ‘Macarena’, liderou os tops em dezenas de países, a dança que surgia no videoclip tornou-se viral e ainda hoje serão poucos os que conseguirão dizer veridicamente nunca ter ouvido.


A voz é a das Las Ketchup, banda formada pelas irmãs Pilar, Lola, Lucía e Rocío Muñoz , que escolheram o nome em homenagem ao pai, o guitarrista Juan Muñoz, conhecido como ‘El Tomate.’
Como indica, aliás, o álbum do qual o tema é retirado, ‘Hijas del Tomate’ (‘Filhas do Tomate’).

Poucos dias passaram desde o 20.º aniversário do lançamento da canção e ‘Aserejé’ permanece o único êxito das Las Ketchup. Ainda que tenham representado Espanha na Eurovisão alguns anos mais tarde, nunca conseguiram replicar o sucesso alcançado naquele ano. Mas então, onde andam as quatro irmãs hoje em dia, e quem lucrou com tudo isto?

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Las Ketchup

 

O SUCESSO, O DINHEIRO E AS LIGAÇÕES SATÂNICAS

Se de Rocío, que apenas apareceu junto da banda publicamente em 2006, pouco foi revelado – sendo que a versão oficial para não ter aparecido no material promocional de ‘Hijas del Tomate’, é de que estaria grávida – das três irmãs, sabe-se que a expetativa de terem o sucesso que se verificaria era pouca.

Numa entrevista ao ‘El Mundo’, em 2017, apenas Lucía afirmou ter a música como ocupação principal quando o álbum se começou a materializar. Cantava flamenco em Córdoba, sendo que trabalhava como cabeleireira, ao mesmo tempo. Já Pilar tinha a ambição de ser atriz e foi estudar para esse efeito para Madrid, enquanto Lucía estudava Ciências do Trabalho, apesar de admitir nunca ter tido vontade para seguir essa área – "escolhi o que havia em Córdoba, depois percebi que não gostava da ideia", declarou.

Ciente da dimensão que poderia ser alcançada pelo grupo, a pequena editora de Córdoba, Shaketown Music, apresentou as irmãs à Columbia Records, que negociariam depois com a Sony, para os mercados internacionais. De todo o álbum, ‘Aserejé’ era o único tema que não era escrito pelo grupo, mas por Francisco Manuel Ruiz, conhecido por Queco, que já havia escrito música para artistas de renome da música espanhola, como são exemplo os Gipsy Kings. O refrão tem origem no tema ‘Rapper’s Delight’, de 1979, dos Sugarhill Gang e é uma ‘espanholização’ de um dos seus versos.

Fora também a editora que pediu às Las Ketchup que inventassem uma coreografia para acompanhar o tema – uma decisão que se revelou certeira – e estas confessam que foi criada numa questão de minutos. "Pensávamos que íamos apenas gravar um disco e que nos íamos divertir entre nós. Para o que aconteceu depois não estávamos preparadas, porque ninguém estaria", frisou Lucía ao ‘El Mundo.’ Queco, o pai do tema, refere que o primeiro ‘boom’ deu-se na Feira de Córdoba de 2002: "Foi aí que se gerou o êxito, antes tinha passado muito pouco na rádio", assegurou ao ‘ABC’.

O que se seguiu, como se diz, é História: mais de oito milhões de cópias vendidas, conduzindo o tema ao topo semanal de vendas em países como Portugal, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Países Baixos, Austrália, Chile, Uruguai, México, Brasil, Cuba e, claro, Espanha. Se o sucesso as tornou milionárias? Nem por isso. "Isso é uma lenda. Ganhámos dinheiro, sim, mas eu não sou a duquesa de Alba", afirmou Pilar na mesma entrevista, com Lucía a acrescentar: "Não somos milionárias. Se fôssemos, não iria a trabalhar, vivia divinamente. Ganhámos dinheiro, mas não para nunca voltar a trabalhar." Efetivamente, indica a mesma publicação, quem lucrou mais com o êxito foi Queco, que auferia 1,2 euros por venda.

Lembra-se das Las Ketchup, as vozes por detrás do fenómeno 'Aserejé'?
Las Ketchup
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As Las Ketchup ver-se-iam envoltas numa bizarra controvérsia que associava as letras de ‘Aserejé’ a uma mensagem satânica, que invocaria o Diabo. Em algumas escolas religiosas nas Honduras, os alunos foram mesmo proibidos de ouvir o tema, por este motivo. "Assustou-me muito e não tinha sentido nenhum", explicou Pilar Muñoz, opinião a que Lucía anuiu: "Parecia uma brincadeira. O único significado que tem é como um andaluz cantaria um tema inglês sem a saber bem."

 

A PARTICIPAÇÃO NA EUROVISÃO E O MOTIVO DO DESAPARECIMENTO

Após ‘Aserejé’, as Las Ketchup lançariam, em novembro seguinte, o segundo e último single do álbum, ‘Kusha Las Payas’, que, não tendo passado completamente despercebido, teve um sucesso apenas tímido, chegando ao top 100 em alguns países. (Portugal não foi um deles, ainda que, curiosamente, na semana posterior ao lançamento deste single, ‘Aserejé’ acabaria por saltar 13 lugares para voltar ao número 1, mas de ‘Kusha Las Payas’ nem sinal, numa lista dominada por nomes fortes como Shakira, Christina Aguilera ou U2.)

Quatro anos mais tarde – após desfrutarem do topo da fama e de um hiato para compor o sucessor de ‘Hijas del Tomate’ – as Las Ketchup regressariam para o seu segundo disco de originais, com o bónus de terem sido as eleitas pela estação pública TVE para representar Espanha na Eurovisão. Tudo parecia indicar que o conjunto seguiria no caminho do sucesso e evitaria a fama de ser uma ‘one hit wonder’, mas tal não se verificou. Já juntas com a quarta irmã Rocío, lançaram ‘Un Blodymary’, novamente em colaboração com Queco, tema levado para o festival, saído do álbum homónimo.

Contudo, a participação das Las Ketchup em Atenas revelou-se um fracasso. Com passagem automática para a final, o tema das cordovesas terminou num muito modesto 21.º lugar, com apenas 18 pontos – 12 atribuídos pela vizinha Andorra e 6 pela Albânia. A título de curiosidade, nessa edição, ganha pelos finlandeses Lordi, Portugal foi representado por uma outra girl band que voltou à tona devido a eventos recentes e que também teve o seu derradeiro capítulo em 2006: as Nonstop, de Liliana Almeida, somente conseguiram um 19.º lugar na meia-final.

Analogamente, o segundo álbum das Las Ketchup, que seria igualmente o único, não teve o sucesso esperado. Em 2016, Queco referiu ao ‘Diario Córdoba’ que, a seu ver, o conjunto teria conseguido fazer uma boa carreira, se se tivessem comprometido, opinião da que discordam as irmãs: "Não continuámos porque houve um confronto entre as editoras. Só se promoveu o ‘Aserejé’ e depois parou tudo", explicou Pilar.

E AGORA, ONDE ESTÃO?

Desde então, as irmãs dedicaram-se a outras partes da vida. Lola terminou o curso de Ciências de Trabalho, escreveu uma tese no âmbito de um curso sobre flamencologia e também uma biografia sobre o seu pai. Pilar é atriz e guionista, enquanto que Lucía montou, segundo o ‘El Financiero’, um negócio de cabeleireiro, onde cantava flamenco enquanto cortava cabelos. Todas elas são agora mães: Pilar e Lucía têm dois filhos cada e Lola, uma filha.

Todavia, e apesar de não terem voltado a gravar, as Las Ketchup continuam a juntar-se para dar espetáculos pelo mundo fora – Bélgica, Alemanha, México, Dinamarca, Suécia e, já em 2022, Hungria, foram alguns dos locais que receberam as irmãs – na Polónia, voltaram a ser faladas nas redes sociais por terem participado num concerto de apoio às tropas enviadas à fronteira com a Bielorrússia. Por ocasião do 20.º aniversário do tema, regressaram aos festivais em Espanha, depois de já terem atuado no Horteralia, em Madrid, irão estar no dia 22 de junho no ‘Sálvame Mediafest.’

Apesar disso, garantem que não lamentam o fim da fama: "Estou muito bem", "não sinto falta da fama em nada", "não tenho saudades", disseram Pilar, Lola e Lucía ao ‘El Mundo’, respetivamente. Dito isto, será que a história das Ketchup ficará mesmo por aqui? Passados estes 20 anos, as irmãs não descartam um regresso da banda: "Temos muitas canções novas e palpita-nos que é o momento de voltar", revelou Lola Muñoz ao ABC, em março.

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