Enquanto Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa não deu muito descanso ao corpo de segurança que o acompanhava: ou porque frequentemente furava o protocolo para falar com quem lhe estendesse a mão, qualquer que fosse a situação, ou porque, volta e meia, perdia as cores e desmaiava. Aconteceu mais do que uma vez durante o seu mandato. Primeiro um em Braga, em 2018, em frente às câmaras de televisão, ao vivo e a cores. Mais tarde, no Monte da Caparica, Almada, num polo da Universidade Nova de Lisboa. Os sustos de saúde foram-se sucedendo e o último aconteceu já longe de Belém, quando Marcelo, de 77 anos de idade, conseguiu finalmente abrandar o ritmo, e descansava na Praia de Monte Gordo, no Algarve, para onde vai religiosamente depois de ter deixado a luxuosa Quinta do Lago.
Na véspera de se ter sentido mal, a FLASH! encontrou-o a banhos na praia, naquelas que são as suas habituais rotinas. Apesar de ter ido de férias sozinho, nunca o está verdadeiramente, e nas imagens captadas pela nossa publicação é possível vê-lo sempre acompanhado, a falar com quem o abordava.
No entanto, na última quarta-feira, dia 12, o dia terá sido um pouco mais agitado do que isso e terá sido esse pico de atividade a provocar o desmaio. "Felizmente posso sair em alta e aproveitar os meus dois ou três dias que me faltam de férias. Sinto-me bem. Hoje tive um dia muito intenso de praia e de facto foi um exercício físico num dia quente e grande e vou ter cuidado acrescido em matérias de hidratação", disse, depois de ter deixado o Hospital de Faro pelo próprio pé, pelas 21h30 do mesmo dia. Sentiu-se mal depois do almoço num restaurante, onde perdeu os sentidos. Foi rapidamente transportado para o hospital, onde fez todos os exames complementares de que necessitava, até porque é conhecida a sua condição cardíaca, entre outros problemas conhecidos.
Em dezembro de 2018, foi operado de urgência a uma hérnia, no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, ato que o obrigou a cancelar toda a sua agenda até ao final desse ano e a abrandar o ritmo nas semanas seguintes, passando o Ano Novo em casa. A 30 de outubro do ano seguido seria submetido a um cateterismo cardíaco, de forma programada, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, Oeiras, tendo retomado a sua agenda normal com relativa rapidez. Já em dezembro de 2021 voltou a deitar-se na mesa de operações para ser submetido, uma vez mais com sucesso, a uma cirúrgica de hérnia inguinal bilateral no Hospital das Forças Armadas. De todas as operações, recuperou com relativa rapidez, mas com muitos cuidados, não fosse Marcelo um hipocondríaco assumido, que gosta de ter todos os exames e rotinas em dia.
A NOVA VIDA LONGE DE BELÉM
Depois de dois mandatos intensos, Marcelo fechou a porta de Belém sem saudosismos. Até com alguma satisfação. O desgasto havia sido muito e para o Presidente urgia começar uma vida nova, que tem feito questão de aproveitar, mantendo-se longe dos holofotes mediáticos, na maioria das ocasiões.
A reforma é, sobretudo, política, uma vez que o eterno Presidente dos afetos não imagina a sua vida sem estar a trabalhar. Na verdade, Marcelo já sabe muito bem o que irá fazer e parte dessa vida passa por retomar um gosto muito seu, que deixou em prol da Presidência da República: dar aulas. E já tem definido onde será: na Califórnia, nos Estados Unidos, num afastamento que será quase necessário para que o antigo Chefe de Estado coloque em perspetiva os seus últimos anos.
No entanto, essa mudança só estará prevista dentro de dois anos, o que será uma espécie de coincidência feliz, uma vez que Marcelo irá aproveitar esse tempo para viver em pleno a magia dos Jogos Olímpicos, que em 2028 terão lugar nos Estados Unidos. "Vou ser professor convidado na Califórnia e, portanto, junta-se o útil ao agradável, que é estar lá a ensinar, convidado, no ano de 2028 e, como imaginam, é uma condição única e privilegiada para, com mais tempo, ver mais modalidades e acompanhar mais ainda os triunfos dos nossos atletas", disse, citado pela Lusa, acrescentando que, por esse altura, será "um homem livre".
Uma liberdade que se tornou quase uma urgência para Marcelo Rebelo de Sousa que, depois de um primeiro mandato nas boas graças dos portugueses, viu o segundo transformar-se num pesadelo, com o envolvimento no caso das gémeas luso-brasileiras a desgastá-lo a todos os níveis, principalmente no campo do pessoal, com o processo a ter levado, inclusivamente, a um corte de relações com o filho - que não se sabe até que ponto se manterá aos dias de hoje. No entanto, limpar esses respingos da sua vida política será certamente uma prioridade para Marcelo, que não esconde o quanto tudo o que se passou ao longo dos últimos dois anos, principalmente, mexeu consigo.