Na Família Real portuguesa, esta quarta-feira, dia 25 de março, houve motivos de celebração com o 30.º aniversário do filho mais velho de D. Duarte de Bragança e Isabel de Herédia. Dom Afonso de Bragança chega às três décadas de vida, levando os seus dias tantas vezes longe dos holofotes e de uma forma discreta.
No entanto, há algo que irremediavelmente vem à tona, com a curiosidade em torno da vida sentimental do príncipe, que se mantém solteiro, a ser grande. “O casamento é algo importante na vida de qualquer pessoa. Acredito, no entanto, que essas decisões devem surgir no momento certo e de forma natural. Por agora, continuo a minha vida de solteiro”, assegurou à revista 'Sábado', mostrando que, de alguma forma, segue as pisadas do pai, D. Duarte, que se casou com 49 anos, numa cerimónia com pompa, que ocorreu a 13 de maio de 1995, na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
Apesar de desvalorizar este lado romântico da vida, a verdade é que pretendentes não faltam ao príncipe da Beira e duque de Barcelos – pelo menos na teoria. Entre a aristocracia europeia, há nomes que se têm destacado, como as irmãs Maria Carolina e Maria Chiara di Borbone (filhas dos Duques de Castro), cuja proximidade ao filho de D. Duarte Pio e D. Isabel deu que falar. Mas também há quem sonhe com uma união com a princesa Leonor, para fortalecer os laços ibéricos, ou a prima Victoria Federica, como a candidata ideal aos olhos de Jaime de Marichalar, que vê em Afonso o "noivo perfeito" para a filha. Na lista de "pretendentes" há ainda Amália dos Países Baixos ou a princesa Elizabeth da Bélgica.
No entanto, isto seria apenas em teoria, e numa versão muito colada a outros tempos. Se outrora era comum este tipo de enlaces serem como que arranjados por questões de conveniência e emancipação e evolução dos tempos faz com que hoje em dia, essa seja quase uma exceção. As casas reais estão repletas de exemplos de casamento com plebeus, sendo Letizia um dos casos mais famosos, mas não só, o que revela o mundo de possibilidades que se abre, desencorajando casamentos que aparentemente se podem assemelhar a um conto de fadas, mas que na prática redundam quase que num contrato assente numa fachada, que no seu tempo, tinha uma razão histórica.
No passado, a coroa via o casamento como um instrumento de política externa, sendo que os noivos eram escolhidos pelo papel que iriam desempenhar enquanto "consortes", além de outros fatores que eram tidos em conta, como a multiplicação de uma fortuna ou a aliança entre duas famílias todas poderosas. Só que se tal 'funcionou' durante anos, casos mais recentes, como foi o casamento arranjado entre a princesa Diana e o príncipe Carlos, acabaria por se revelar dramático. Quando se casaram, Diana sabia que o marido não estava apaixonado por si, aliás sabia que nutria sentimentos em relação à 'ex' Camilla, sendo que o enlace só traria sofrimento para a vida de todos os envolvidos.
UMA FAMÍLIA UNIDA E FELIZ
O regime monárquico em Portugal terminou com a proclamação da República no dia 5 de outubro de 1910, altura em que o rei, Manuel III partiu para o exílio, sendo que, aos dias de hoje, apenas D. Duarte Pio, D. Isabel de Herédia e os três filhos nos remetem para estes tempos de castelos, coroas e contos de fadas.
Uma família singular que os portugueses se habituaram a seguir e a acarinhar de uma forma muito especial e que, volta e meia, regressa à esfera mediática em eventos 'sui generis'. Aconteceu a propósito dos 30 anos de casamento de D. Duarte e D. Isabel de Herédia. O enlace, no Mosteiro dos Jerónimos, foi um momento que parou Portugal à semelhança daquilo que, ainda que, a uma outra escala, aconteceria em 2023 com Maria Francisca, a filha do meio, que foi a primeira a casar-se, com o advogado Duarte de Sousa Araújo Martins. Para a ocasião, o Convento de Mafra fechou, líderes políticos foram convidados e veio realeza de toda a Europa. A noiva, então com 26 anos, exalava felicidade, ainda que, muito antes da boda, tivesse tido uma conversa séria com a mãe.
Queria saber qual era o segredo para a relação duradoura e apaixonada dos pais e como é que poderia ter a certeza de que tinha escolhido a pessoa certa. Com a sabedoria dada pela vida, e também a prudência de quem só aceitou o pedido de casamento à terceira, Isabel de Herédia daria um conselho que a filha ouviu e assimilou. “Quando a minha filha ficou interessada no marido e me perguntou o que é que eu achava, o que é que a outra pessoa devia ter, digo sempre: o importante é os valores em que acreditamos, a paixão acaba, o amor aumenta”, disse, acrescentando que tem passado sempre essa mensagem aos três filhos. “Não casem por paixão, casem por amor (…) tenham esse amor, tenham os valores, tentem encontrar alguém que tenha os mesmos valores, que acredite no que acreditamos, que seja uma pessoa de trabalho, uma pessoa curiosa, que tenha senso de humor e que, sobretudo, nos deixe ser o que nós somos. Essa foi a grande qualidade do meu marido: ele nunca me quis mudar e eu também nunca o quis mudar. Não quer dizer que, às vezes, não tenhamos confrontos, mas acho que é importante a pessoa não querer mudar a outra", completou.
Para Francisca e para os irmãos, os pais são, ainda aos dias de hoje, o exemplo de um casal feliz, que sempre quis seguir, ainda que para já só a princesa tenha encontrado o amor capaz de a levar a trocar alianças. Para D. Afonso e o irmão, D. Dinis, tudo permanece ainda em aberto.