Desde que o escândalo da traição de Letizia com o antigo cunhado, Jaime del Burgo, viu a luz do dia que a vida nunca mais foi a mesma no Palácio Zarzuela, em Madrid. Se até então os reis se esforçavam ao máximo para conter as polémicas para evitar falatórios, nos últimos meses parece que tem havido um afrouxar das tentativas de mostrar aos súbitos que tudo está bem. Até porque não estará.
De acordo com a especialista em realeza espanhola Pilar Eyre, nunca os reis estiveram em polos tão opostos, ao ponto de, pela primeira vez, equacionarem seriamente desfazer as aparências e avançar para o divórcio. Até aqui, o cenário foi sempre afastado por fazer mais mal do que bem à imagem de uma coroa já de si fragilizada pelos escândalos de corrupção do anterior rei, Juan Carlos, e também das suas intermináveis listas de infidelidades, que o levaram a viver, durante anos, um casamento de fachada com a rainha Sofia.
Depois deste balde de água fria, tudo o que se esperava dos novos reis de Espanha é que se conseguissem manter afastados das polémicas. E se durante anos pareciam, efetivamente, a família mais feliz do mundo, numa imagem alicerçada pelas encantadoras filhas, Sofia e Leonor, esse cenário mudou radicalmente.
E é claro que Felipe e Letizia continuam a aparecer juntos publicamente, num esforço por manter as aparências, mas também é verdade que o empenho já não é o mesmo. No Verão, não deram mais do que um vislumbre ao estilo de toca e foge, mostrando-se juntos apenas por um dia em Maiorca e depois mais ninguém sabe se, efetivamente, passaram as férias juntos ou separados.
Há também, em Zarzuela, uma preocupação cada vez mais crescente com a vida que a antiga jornalista leva fora do Palácio. Anteriormente regrada e fiel ao que a coroa esperava dela, Letizia está agora mais solta, mais próxima daquela que era a sua vida enquanto plebeia e sucedem-se os jantares com amigas, um copo aqui e ali e saídas a solo "fora de horas" que a deixam mais exposta e alavancam a tese de que todos os caminhos se afunilam em direção ao divórcio.
De acordo com Pilar Eyre, este é o período pessoal "mais difícil" por que a rainha atravessa. Sente-se cada vez mais distante da coroa e, mesmo nos compromissos oficiais, vai-se mostrando cada vez menos formal, mais descontraída, como se preparasse terreno para alguma coisa. Segundo a mesma fonte, nesta fase, Letizia acabou por se aproximar do seu grupo de amigas, ao mesmo tempo que se distancia do marido, com o qual as diferenças se mostram cada vez mais inconciliáveis.
AS VIDAS INDEPENDENTES DOS REIS
Se Letizia passa cada vez mais tempo com o seu círculo de amigas, também Felipe VI tem optado por passar cada vez mais tempo livre fora do Palácio. De acordo com os principais comentadores reais, neste momento a relação entre o casal é puramente de fachada, garantindo que os dois apenas se juntam para os atos oficiais e, mesmo assim, sempre com algumas condicionantes: chegam em carros separados e seguem dessa mesma maneira para o Palácio ou outros afazeres.
Os gestos de carinho também são cada vez mais uma raridade e no Palácio diz-se que Letizia permanece cada vez mais isolada, sendo que a relação com a Coroa está a um ponto de se tornar insustentável.
Então, mas se o cenário é assim tão delicado, o que os impede de avançar para o divórcio? A resposta vai sempre dar ao mesmo: à agitação e instabilidade que isso iria provocar e do quanto poderia danificar a imagem da realeza espanhola. Posto isto, é certo que os reis vão continuar a tentar manter as aparências em prol de uma falsa harmonia que já não sabem até quando vão ser capazes de manter.