Luís Represas começou muito cedo a interessar-se por música e aos 13 anos comprou a sua primeira guitarra com 500 escudos ganhos no Natal. Dizia que a música lhe tinha caído no colo, depois de ter desejado ser militar por causa do avô e médico por causa do irmão mais velho. No entanto, foi com uns amigos, que conheceu na União de Estudantes Comunistas, que, em 1976, formou um dos maiores coletivos da história da música. Batizaram-no de O Trovante, embora se tenha convencionado chamar Os Trovante.
Estiveram no ativo até 1992 (lançaram nove discos), altura em que Luís Represas seguiu a sua carreira a solo, pautada em muitos momentos por colaborações com alguns dos mais importantes nomes da música como Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, entre muitos outros.
Mas para lá das histórias perdurarão para sempre as canções. E são essas que recordamos agora. Esta é a playlist obrigatória para compreender um dos artistas mais relevantes dos últimos 50 anos da história da música portuguesa.
'Balada das Sete Saias'
É um dos primeiros grandes sucessos dos Trovante. Faixa de abertura do terceiro disco de originais 'Baile do Bosque' lançado em 1981. A música marcou a transição do grupo para uma sonoridade mais pop/folk, algo inovador na altura. A figura da "menina das sete saias" evocava mistério e lendas.
'Memórias de Um Beijo'
É impossível passar pela música dos Trovante sem dar especial atenção 'A Memórias de Um Beijo', terceira faixa do álbum 'Terra Firme', de 1987. O tema tem o famoso verso "Viver Tudo Numa Noite" que este ano deu nome ao espetáculo de regresso do grupo aos palcos.
'Perdidamente'
Inspirado no poema 'Ser Poeta' de Florbela Espanca (publicado originalmente no livro 'Livro de Mágoas' em 1919), 'Perdidamente' é talvez o tema mais emblemático da carreira dos Trovante. Foi lançado com o disco 'Terra Firme' em 1987.
'Saudade'
É provavelmente um dos refrões mais conhecidos da música portuguesa: "Há sempre alguém que nos faz falta / Ahhh, saudade...".
'Xácara das Bruxas Dançando'
Unindo a poesia, o misticismo e o imaginário da época dos Descobrimentos, ''Xácara das Bruxas Dançando', tornou-se um dos temas mais festivos dos Trovante.
'Fizeram os dias Assim'
Tema marcante do último disco dos Trovante 'Sepes'. Dele saíram os versos: "Não nos venham pedir contas/ Não venham pôr-nos regras/ Sabemos que os nossos dias/ Não vão ser gastos assim!".
'125 Azul'
Nascido em 1987, '125 Azul', outro dos temas bandeira dos Trovante, foi escrito numa toalha de mesa de um restaurante. Versa sobre a amizade e vontade de quebrar rotinas. Faz referência a uma mota de 125 cilindradas. Os editores não acreditaram que este tema viesse a ser um sucesso.
'Ai Timor'
Lançada em 1990, 'Timor' fazia parte do álbum 'Um Destes Dias' dos Trovante. Foi um verdadeiro símbolo da luta pela paz e independência do país. A 20 de maio de 2016, Represas seria condecorado com a 'Ordem de Timor -Leste' atribuída pelo presidente do país.
'Feiticeira'
Em 1993, Luís Represas gravou com o cantor cubano Pablo Milanés um dos duetos mais marcantes da música portuguesa. Ficará para sempre como um dos seus grandes hinos em nome próprio. Celebra o poder do amor.
'Neva Sobre e Marginal'
Tema obrigatório do primeiro disco a solo de Luís Represa, disco esse que resultou de uma viagem a Cuba e que se traduziu num reencontro do músico consigo próprio.