Camila Parker Bowles não é, de longe, o elemento mais popular da família real britânica, mas é, sem dúvida, um dos mais resilientes. Sobre ela nunca recaíram simpatias, com a sua história pessoal a chegar sempre primeiro, antes que tivesse tempo de 'se apresentar' . Para os ingleses, não há volta a dar: ela será sempre a mulher que fez tremer o casamento de Carlos e Diana, mesmo que nesse caso não haja santos ou vilões.
Quando, dois anos após a morte de Diana, Carlos e Camila assumiram publicamente a sua relação, ela sabia que não teria um caminho fácil dentro da realeza, mas manteve uma postura de coerência e também de perseverança, que a levou a aguentar os embates. "A sua principal força não está relacionada com a novidade, mas sim com a resistência. A sua história pessoal esteve inevitavelmente associada, durante décadas, a uma das grandes controvérsias da monarquia britânica. No entanto, conseguiu construir, ao longo do tempo, uma identidade institucional própria, e isso tem um enorme mérito", explicou a especialista em realeza Maria José Verdú à revista 'Lecturas', acrescentando que Camila não se quis impor à força e soube esperar para conquistar o seu estatuto na família.
"Camilla demonstrou que a legitimidade pública também pode ser construída lentamente. Não precisou de se reinventar de um dia para o outro, mas sim de desenvolver, ao longo dos anos, uma agenda coerente, até conseguir que o seu trabalho acabasse por fazer parte da perceção que hoje existe sobre ela."
Características que fazem com que, aos dias de hoje, Camila seja uma das figuras da família melhor preparadas para lidar com a tempestade mediática provocada pelo regresso de Harry e Meghan. Além da sua força natural, o facto de não estar tão emocionalmente envolvida no caso permite que se torne numa melhor juiz neste assunto, podendo ser a voz da razão.
Recorde-se que durante o encontro recente entre Harry e a família e o rei Carlos III a rainha Camila também esteve presente, ajudando a aligeirar o ambiente.