William tinha 15 anos e Harry apenas 12 quando a princesa Diana morreu, a 31 de agosto de 1997, num acidente de carro em Paris. De repente, os dois príncipes ficaram sem a mãe - que era o melhor e maior apoio que tinham no meio da Família Real de Inglaterra - e passaram a enfrentar juntos uma exposição pública que nenhum deles tinha escolhido.
A imagem dos dois irmãos a caminharem lado a lado atrás do caixão daquela a quem o povo aclamou como a 'Princesa do Povo', poucos dias depois, tornou-se uma das mais marcantes da história dos Windsor. Mais do que uma fotografia, ficou como o retrato de dois irmãos obrigados a partilhar uma dor demasiado grande para a idade que tinham.
Nos anos seguintes, William e Harry mantiveram uma ligação muito próxima. Cresceram juntos, participaram em compromissos oficiais, partilharam férias e, durante algum tempo, pareciam formar uma dupla inseparável dentro da família real.
Mas a relação mudou profundamente na idade adulta. A saída de Harry e Meghan Markle da vida oficial da realeza e, sobretudo, as entrevistas e declarações públicas dos Sussex acabaram por abrir uma distância cada vez maior entre os irmãos.
Harry expôs parte dos conflitos no livro 'Spare', publicado em 2023, onde descreveu William como alguém que amava e, ao mesmo tempo, como um adversário. A partir daí, a relação tornou-se ainda mais difícil de reparar. A última vez que os dois estiveram juntos em público foi no funeral da rainha Isabel II, em setembro de 2022. Desde então, o contacto entre ambos tem sido praticamente inexistente.
Nem a doença do pai, o rei Carlos III, conseguiu aproximá-los. Harry voltou entretanto a aproximar-se do pai e, semana passada, regressou ao Reino Unido com Meghan e os dois filhos para uma estadia mais prolongada. William, porém, continua sem dar sinais públicos de uma reconciliação.
É um contraste difícil de ignorar. Os dois rapazes que, há 29 anos, enfrentaram juntos a perda mais devastadora das suas vidas são hoje dois homens separados por uma relação marcada pela mágoa, pela desconfiança e por anos de silêncio.
E talvez seja precisamente por isso que a história de William e Harry continue a despertar tanta atenção. Porque, por mais que a vida os tenha levado para caminhos diferentes, existe uma memória que nenhum dos dois poderá apagar: a de quando eram apenas dois irmãos que perderam a mãe e tinham apenas um ao outro.