A história de amor dos reis Felipe VI e Letizia ficou eternamente marcada por um anel de noivado invulgar. Desenhada pela prestigiada joalharia espanhola Suárez, a peça foi feita à medida para a então jornalista e distingue-se pelo design moderno: uma elegante aliança em ouro branco cravada com 16 diamantes, afastando-se do tradicional solitário com pedra central. No entanto, o requinte da joia acabou por ficar envolto numa polémica ensurdecedora que, durante anos, abalou os alicerces da Casa Real.
A joia acabou inevitavelmente associada ao 'Caso Nóos', o mediático escândalo de corrupção protagonizado por Iñaki Urdangarin, ex-marido da infanta Cristina e antigo cunhado de Felipe VI. Na altura, surgiram fortes suspeitas de que a peça teria sido paga com fundos desviados do Instituto Nóos – alegações que ganharam ainda mais força após a publicação do livro 'Urdangarin. Um Intermediário na Corte do Rei Juan Carlos', assinado pelos jornalistas Eduardo Inda e Esteban Urreiztieta.
Na obra, é reproduzido o testemunho explosivo de Diego Torres, antigo sócio de Urdangarin, que afirmou ter acompanhado o ex-duque de Palma de Maiorca no momento da compra da joia, alegando que o pagamento fora efetuado com um cartão de crédito diretamente associado à instituição sem fins lucrativos.
Apesar de nunca ter ficado provada qualquer ligação efetiva entre o anel de noivado de Letizia e o desvio de fundos, o escândalo manchou o simbolismo da peça. Como consequência, a monarca deixou de usar a joia há mais de uma década. Mais tarde, Letizia optaria também por retirar a própria aliança de casamento, uma decisão que continua a alimentar o fascínio e o mistério em redor das joias que marcaram o início da sua união com o rei de Espanha.