"O enigma está entre eles". Quem o afirma é Francisco Moita Flores que, 10 anos após o desaparecimento de Maddie, na praia da Luz, não acredita que a criança esteja viva.
A investigação da Polícia Judiciária colocou todas a hipóteses em cima da mesa. Até a de uma queda acidental que poderá ter resultado na morte da criança. Interrogou os pais. Kate, a mãe, recusou-se a responder às 48 perguntas dos inspetores da PJ.
Algumas dessas questões eram bastante explícitas e iam ao encontro da teoria de que a médica, com a conivência do marido, cardiologista, daria calmantes aos filhos, para que dormissem. Mas Kate assumiu, num primeiro depoimento, dar um medicamento aos filhos para dormirem.
O antigo inspetor da PJ, Carlos Anjos, defendeu no programa 'Rua Segura' que as crianças deveriam ter feito análises clínicas para se saber se tinham ou não uma dosagem no sangue.
Kate não quis dizer que Maddie tinha alguma doença ou tomava alguma medicação. Se os gémeos dormiam mal, o que provocava desconforto aos pais, ou se em alguma altura, em Inglaterra, tinha medicado os filhos. A PJ quis ainda saber se era verdade que Kate e Gerry tinham colocado a hipótese, no Reino Unido, de darem a custódia da filha a um familiar chegado.
Perante o silêncio da inglesa, os inspetores portugueses avisaram-na: "Tem noção que ao não responder a estas questões está a pôr em causa a investigação e a descoberta do que aconteceu à sua filha", noticiou o jornal britânico 'Daily Telegraph'. Inexpressiva, Kate respondeu: "Sim, se é isso que a investigação pensa".
GÉMEOS DORMIAM PROFUNDAMENTE
Na noite em que Maddie desapareceu, Sean e Amélie dormiam profundamente. Tão profundamente que nem quando a casa – cenário de crime – foi interditada pela GNR e foram levados pelos pais, ao colo, para outro local, acordaram.
Perante estas supostas evidências, Kate sempre negou drogar os filhos. Mas acabou por responder a esta questão – que não quis elucidar à PJ – à estação de televisão espanhola 'Antena 3', em entrevista."Dizer que os nossos filhos estavam drogados é um ultraje", insurgiu-se a anestesista. "Só quero dizer que sou a mãe de Madeleine e que se alguém a levou do apartamento que a devolva. Tudo o resto é um disparate".
Sem resposta fica outra questão da polícia: "O que é que significa: 'We let her down'?". A pergunta teria a ver com a expressão usada por Kate, quando se dirigiu em pranto, aos amigos que estavam no restaurante e é um termo médico, muito utilizado no Reino Unido, equivalente a 'She's gone', ou seja, "desapareceu" no sentido de "morreu".