"Catarina Furtado é uma estrela, mas não é uma estrela como a maioria das que conhecemos. O seu umbigo é solidário. O seu ego partilhado com quem não o tem. O seu tempo é utilizado com quem precisa, com quem faz o bem, com raparigas que nascem condenadas por não serem homens, com mulheres que pagam por sê-lo - mulheres que são obrigadas a casar, que são obrigadas a calar, que são obrigadas a humilhar-se apenas por terem nascido mulheres", começa assim o 'Postal do Dia' que Luís Osório dedicou à eterna "namoradinha de Portugal".
O escritor aponta de seguida as causas às quais a apresentadora da RTP se tem dedicado: "Como Embaixadora da Boa Vontade, nas Nações Unidas. Como fundadora e mentora dos 'Corações com Coroa' que por estes dias completaram 13 anos de vida. Um projeto que não teve qualquer dúvida em levar para a frente. Enquanto alguns utilizam o nome para terem benefícios sociais, ela utilizou sempre a marca 'Catarina Furtado' para conseguir financiamentos para que meninas e mulheres pudessem ter um lugar em que os seus direitos fossem defendidos, um lugar em que se pudessem informar, ser apoiadas e preparadas", realça.
"Repare, são 13 anos. Não são 13 dias. Ou um ano e meio. Foram 13 anos da sua vida a gastar o tempo que lhe sobrava na agenda.13 anos em que se sacrificou por quem precisava. Em que esteve, deu o corpo às balas, abraçou e foi abraçada. Poderia ter sido um devaneio, uma necessidade pessoal que terminaria ao fim de algum apaziguamento pessoal", considera o também jornalista enaltecendo a postura de Catarina Furtado.
E termina: "Por vezes, desejo fazer voluntariado, mas há sempre qualquer coisa que acontece de mais importante e que me impede. Qualquer coisa que, na maioria das vezes, não tem importância alguma. Na minha cabeça apoio sem-abrigos, apoio crianças em dificuldade, apoio refugiados e mulheres vítimas de violência doméstica. Mas depois não passa da minha cabeça, não passa de uma boa intenção. E eu não sou a Catarina Furtado. Não tenho lugar nas melhores mesas, não posso fazer voltas ao mundo ou comer ostras todos os dias se o quisesse fazer. Ela poderia, mas não o faz. Por que na sua cabeça o que é importante é fazer, estar com os outros, viver comprometida com o mundo, lutar por uma ideia de igualdade. Muitos parabéns, Catarina."