'
The Mag - The Daily Magazine by FLASH!

Os três refúgios secretos de António José Seguro, que 'foge' de Lisboa para encontrar a paz longe da vida pública

Comprometido com o desafio político, novo Presidente da República estabelece, no entanto, fronteiras claras entre a vida pessoal e profissional e inaugura um novo ciclo em Belém. O Palácio será, agora, uma habitação fantasma, enquanto Seguro move o centro da ação para as Caldas da Rainha, com custos para a segurança. Entre o lar, que se mantém o grande porto de abrigo, o Chefe de Estado tem ainda dois refúgios de família que prometem protegê-lo de eventuais terramotos políticos e fazer com que a vida, na sua essência, seja a mesma de sempre.
Rute Lourenço
Rute Lourenço
24 de fevereiro de 2026 às 20:10
António José Seguro encontra refúgio longe da vida pública em locais secretos
António José Seguro encontra refúgio longe da vida pública em locais secretos

O episódio mostra bem o quanto António José Seguro é um homem de família. Conta o amigo Álvaro Beleza, no livro 'António José Seguro, Um de Nós', que em 2002 combinou um jantar com o agora Presidente da República para debater a liderança do PS, mas que foi difícil falar de política. Seguro, acabado de ser pai, mostrava-se apaixonado pela filha e passou a refeição a falar de Maria.

"Eu falava de preparar a liderança do PS… mas o António só falava da filha, do nascimento, de dar colo, do sorriso da Maria e de como estava feliz, como nunca o tinha visto", conta, num detalhe que, mais do que o político, mostra a dimensão do homem. 

António José Seguro e Margarida ao lado dos dois filhos
António José Seguro e Margarida ao lado dos dois filhos

Casado com Margarida Maldonado Freitas desde 2001, António José Seguro sempre se mostrou um marido dedicado e, acima de tudo, ciente de que não poderia forçar a companheira e os dois filhos a serem fiéis seguidistas da vida que ele escolheu. Essa consciência levaria a alguns fatores-chave, que ficaram bem claros ainda durante a campanha para as Presidenciais: que não iria expor a família para angariar votos, mantendo-os, em vez disso, numa discreta retaguarda. Deixaria também claro alguns detalhes em relação à sua vida mais privada: Margarida, dona de farmácias e com uma vida profissional ativa, não iria abandonar funções para se tornar numa primeira-dama a tempo inteiro e a família também não iria deixar o quartel-general, nas Caldas da Rainha, considerado o grande reduto de paz do atual Presidente da República.  “Casa, casa será sempre a casa de família, nas Caldas, mas isso não invalida que possa ter de pernoitar no Palácio”, avisou antes de ser eleito ao ‘Expresso’.

Será o primeiro Presidente a viver tão longe da capital – uma hora para cada lado – o que, de acordo com as contas feitas pelo 'Público', pesará nos cofres do Estado, uma vez que os encargos com segurança se tornarão mais dispendiosos devido às constantes viagens entre Lisboa e as Caldas.

Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, continuou a manter a sua residência em Cascais, mesmo que passasse algumas noites no Palácio de Belém, algo que Seguro também admite fazer, ainda que em regime de exceção, uma vez que o reduto mais privado é algo que o político quer manter inalterado, como garantia de salvaguarda da sua vida pessoal. Lá, o Presidente da República reside com Margarida, e conta também com o apoio da família da companheira, que é natural das Caldas. Já os dois filhos do casal encontram-se a estudar em Lisboa e a residir na casa que a família tem na capital.

Apesar da discrição e desta salvaguarda, Seguro admite, no entanto, que a mulher, Margarida, não será nem uma primeira-dama convencional nem uma outsider, mas estará disposta a dar a cara pelo país sempre que assim se justifique. “A Margarida tem a interpretação de que não há o cargo de primeira-dama em Portugal. Continuará a fazer a sua vida profissional e estará presente quando a exigência de Estado o justifique”, diz, revelando assim que Margarida se irá manter à frente da gestão das farmácias das quais é proprietária.

O AMOR POR PENEMACOR E PORTO CÔVO

A devoção por António José Seguro à família sempre foi bem visível e ainda hoje mantém uma ligação muito especial a Penamacor, no distrito de Castelo Branco, onde cresceu feliz ao lado dos pais e dos dois irmãos. O apelo de casa está sempre presente e há muitas coisas que o levam de volta ao município onde cresceu, entre os amigos e as futeboladas – jogava a ponta de lança. Uma delas, bastante inusitada. Foi quando estava no seu interregno político – que durou mais de dez anos – que o atual candidato à presidência da República decidiu investir em Penamacor, precisamente como forma de homenagear o pai, Domingos Seguro, “que plantou a primeira vinha há mais de 40 anos no seu prédio da Serra Pedreira, em Penamacor".

Agora de forma mais profissional, o político, de 63 anos, comprou uma quinta na Beira Interior e plantou três diferentes castas para produzir o seu próprio vinho, Serra P, que lançaria sem alarido e à margem da sua exposição mediática. "Comecei a fazer vinho como homenagem ao meu pai, e como o vinho era bom pensei: tenho aqui uma área de negócios. Então, comprei uma quinta, replantei", disse, em conversa com Luísa Jeremias e Mónica Peixoto na CM Rádio, que mostrou o lado B dos candidatos.

Além disso, investiu ainda em turismo rural, reabilitando um conjunto de casas e dinamizando, desta forma a terra onde nasceu.

O regresso a Penamacor acontece, por isso, com frequência, bem como algo sagrado para Seguro: as férias na pacata localidade alentejana de Porto Covo, o seu terceiro grande porto de abrigo, onde encontra a paz para o descanso perfeito no verão, quase como uma tradição de família, mas também de amigos, uma vez que o atual Presidente da República passa férias há mais de 30 anos no mesmo local e com as mesmas pessoas. Algo que também não pretenderá mudar, mantendo desta forma a estabilidade apesar das mudanças políticas que assolam a sua vida e que são impossíveis de ignorar.

Saber mais sobre

você vai gostar de...