Manuel Serrão, antigo comentador desportivo e figura mediática bem conhecida do público português, sobretudo na televisão, a partir dos anos 90, através do programa 'A Noite da Má Língua', foi declarado insolvente pelo Tribunal Judicial da Comarca do Porto, numa decisão tomada a 5 de janeiro, no âmbito de um processo relacionado com a denominada Operação Maestro, como avança o 'Vidas', do 'Correio da Manhã'.
O empresário é o principal arguido nesta investigação, na qual é acusado de ter sido o mentor de um esquema fraudulento de utilização de fundos comunitários, que terá causado um prejuízo estimado em 42 milhões de euros ao Estado. De acordo com o processo, a empresa Selectiva Moda, onde Manuel Serrão exerceu funções de direção, candidatava-se a apoios europeus e contratava sociedades detidas por familiares ou pessoas próximas, num circuito fechado marcado por conflitos de interesses e ausência de fiscalização eficaz.
Parte dos montantes obtidos terá sido utilizada para fins pessoais, incluindo a permanência prolongada de Serrão num hotel de luxo no Porto, onde terá vivido durante cerca de oito anos. No mesmo processo foram também constituídos arguidos o cunhado de Serrão, António Branco Mendes da Silva, e António Sousa Cardoso, antigo diretor-geral da Associação Nacional de Jovens Empresários.
O pedido de insolvência foi apresentado pela massa insolvente da empresa No Less, uma das sociedades envolvidas no circuito empresarial entretanto colapsado. Segundo a petição, a que o 'Negócios' teve acesso, Manuel Serrão assumiu uma dívida de 645 mil euros, mas não possui bens móveis, imóveis ou património conhecido que permita garantir o pagamento desse valor.