O luto de Raquel Madeira continua em carne viva. Quase quatro anos depois do trágico acidente na A2 que tirou a vida a Claudisabel, a mãe da cantora não encontra paz e dá voz a uma dor visceral que o tempo recusa-se a apagar. A cumplicidade única entre as duas, que partilhavam não só a vida pessoal como a estrada nas digressões pelo País, deu lugar a um vazio sufocante e a uma batalha psicológica diária.
Num desabafo partilhado nas redes sociais, Raquel recuperou uma memória feliz da artista na Califórnia para expor o drama da sua realidade atual, desabafando com o coração nas mãos: "Querida filha, choro lágrimas de sangue todos os dias, por ti". A nostalgia deu rapidamente espaço à indignação, com críticas diretas à decisão da justiça que manteve a pena de prisão suspensa ao guarda prisional envolvido no desastre, o condutor que circulava em excesso de velocidade e sob o efeito de álcool. "Acidente rodoviário com taxa crime álcool não é acidente, é crime! Seu criminoso", acusou a progenitora, antes de rematar sem contemplações: "Mataste a minha filha, mataste a minha vida. (...) Nunca terás perdão, nunca".
A incapacidade de ultrapassar a perda tem deixado marcas profundas e irreversíveis. Desde os episódios dramáticos no rescaldo do acidente, em que chegou a ser internada contra a sua vontade e revelou mais tarde ter sido vítima de um choque extremo – "despiram-me, puseram-me uma fralda enorme e ataram-me com umas correias a uma cama" –, a vida da mãe da cantora estagnou naquela madrugada de dezembro de 2022. Sem perdão e sem consolo, Raquel Madeira permanece prisioneira da memória da filha, resumindo numa frase a sua sentença diária: "Onde estava uma estava a outra, agora estou só, na vida".