O sonho chegou ao fim. Passou pouco mais de um ano desde que Ruben Amorim chegou ao Manchester United, em Inglaterra. A notícia do despedimento chegou esta segunda-feira, 5 de janeiro. Em vésperas de completar 49 anos de idade, o treinador português levava a aura de conquistador, depois da ascensão astronómica no Sporting. Ruben chegou a Manchester com o cognome: o 'The Smile One' – em comparação ao 'Special One' de José Mourinho –, pronto para vencer e conquistar tudo e todos.
Ruben Amorim chegou a Inglaterra com o estatuto de um rei, uma espécie de Dom Sebastião que prometia tirar o Manchester do buraco negro em que se encontrava. Ronaldo, conhecedor dos cantos da casa, avisou que não seria fácil, que o clube estava doente e que o treinador nunca será um "salvador da pátria", é preciso uma reestruturação total. "É difícil. A Premier League é o campeonato mais difícil no mundo. Todas as equipas são boas, todas as equipas lutam, todas as equipas correm muito, todos os jogadores são fortes e o futebol de hoje em dia está diferente. Já não existem jogos fáceis hoje em dia. Eu já disse isto há um ano e meio e vou dizê-lo outra vez: o problema não é o treinador", avisou o capitão da Seleção Nacional.
A postura amistosa do português e o sorriso agarraram de imediato os britânicos, rendidos à figura de Amorim desde a primeira hora, apesar dos resultados teimarem em aparecer. A calma e assertiva postura do treinador transmitia confiança e o sorriso era contagiante. Também para a família, a mulher, Maria João Diogo, e os filhos, esta foi uma grande mudança.
Enquanto futebolista, apenas por uma vez o craque aceitou o desafio de jogar no estrangeiro, no Qatar, mas na altura era ainda recém-casado e sem filhos, embarcando apenas com Maria João nessa aventura. Apesar da instabilidade de uma carreira como futebolista, Amorim sempre conseguiu manter a base para a família. Desde que foi pai que a sua carreira de treinador o tinha mantido sempre por Portugal, até ao convite irrecusável para treinar os red devils. Estava à frente de um dos maiores clubes de Inglaterra e do mundo. Era o sonho tornado realidade.
Apesar de todas as adversidades, Ruben Amorim nunca baixou os braços. No domingo, em véspera de se saber que tinha sido afastado do clube britânico, o treinador português deu um murro na mesa: "Eu vim aqui para ser o manager [treinador-gestor com uma influência mais abrangente] do Manchester United, não para ser treinador. Isso é claro. (...) Não vou desistir. Vou fazer o meu trabalho até que outra pessoa ocupe o meu lugar."
"Vou ser o manager desta equipa, não apenas o treinador principal. Fui muito claro. Isto vai acabar dentro de 18 meses e toda a gente vai seguir em frente. Esse foi o acordo e o meu trabalho não é ser só treinador. Se as pessoas não sabem lidar com Gary Neville ou qualquer outro crítico, temos de mudar o clube. Só quero dizer isso. Vim para cá para ser o manager e todo os departamentos precisam de fazer o seu trabalho que eu faço o meu por mais 18 meses", garantia então, sem esconder a irritação.
Chega assim ao fim o percurso de Amorim no Manchester United, sem a tão ambicionada e sonhada glória. De acordo com a imprensa britânica a decisão dos responsáveis do clube foi tomada na manhã desta segunda-feira (6), horas depois da 'explosiva' conferência de imprensa na sequência do empate em casa do Leeds (1-1).
Depois de uma passagem bem-sucedida pelo Sporting entre 2020 e 2024, Ruben Amorim trocou Alvalade por Old Trafford em novembro desse último ano. Nos 63 jogos oficiais em que esteve no comando dos red devils, o técnico de 40 anos conseguiu um registo de 25 vitórias e 23 derrotas, além de 15 empates.
Na tarde desta segunda-feira, já depois de ser dispensado pelo Manchester United, Ruben Amorim foi apanhado pelos fotógrafos durante um passeio a pé, na companhia da mulher, Maria João Diogo, apesar do frio que se fazia sentir em Manchester.