Dez anos após a sua morte, Maria Barroso permanece como uma referência moral, cívica e afetiva incontornável para a família mas também para a história contemporânea do País. E assim vive na memória do neto Mário Barroso Soares, filho de João Soares, que publica um texto de homenagem à avó na 'Máxima'.
Mário Barroso Soares invoca a avó, mulher do antigo primeiro-ministro e Presidente da República Mário Soares, atriz silenciada pela ditadura, educadora, única fundadora feminina do PS, primeira-dama e humanista militante, a partir de memórias íntimas da infância, da luz de Lisboa e do Aqueduto das Águas Livres, onde as palavras de Maria Barroso o ensinavam a ver e a compreender o mundo.
Entre as recordações dos poemas ditos em voz baixa de José Régio ou de Sophia de Mello Breyner Andersen, das chamadas telefónicas que nunca falhavam e da recusa obstinada da neutralidade perante a injustiça, o texto de Mário Barroso constrói o retrato de uma mulher “acima de todos os títulos”, cuja vida foi dedicada à liberdade, à democracia e a um País mais justo, tão pertinente também no tempo político que estamos a viver.